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2 de mai de 2015

Pekji Parfums Holy Shit Fragrance Review


Português (scroll down for English Version):

 Uma lição que eu aprendi durante meus anos buscando fragrâncias para avaliar é sempre pedir todos os perfumes de uma marca - mesmo os que você entende que não irá gostar. Vez ou outra sou surpreendido com criações que eu tinha certeza que iria odiar, que acabam me conquistando pela forma como o tema é lidado.
Pekji perfumes é uma marca independente na definição mais completa possível - o trabalho de um homem apenas - Omer Ipekci, produção artesanal, foco nos aromas em si e conceitos pessoais ao autor em questão, Mas não se engane, o resultado das criações do Omer, mesmo que ainda desconhecidas, mostram um perfumista com um olhar atento tanto para a interpretação de seu conceito como uma preocupação com a execução técnica e perfeição do que ele produz.
Resolvi começar com Holy Shit justamente por ser o que eu imaginei que odiaria. Eu não escondo minha repulsa por aromas animálicos, criações carregadas em civeta ou em acordes que me façam lembrar o cheiro de fezes. Mas se há uma parte que é literal em Holy Shit, essa é apenas a parta da inspiração do sagrado. O perfume em si é como se fosse uma mistura de sagrado e profano, um ode a perfumaria primitiva, um contraste de incenso, aromas animálicos, ervas.
Eu enxergo duas coisas distintas em Holy Shit, e que eu penso serem as responsáveis pela minha apreciação a fragrância. A primeira: em sua homenagem às origens da perfumaria, a forma mais direta, ritualística de uso do incenso, de alguma forma Omer acabou homenageando um dos perfumes mais "sagrados" da perfumaria do século XIX: Guerlain Jicky. Na minha imaginação, Holy Shit é, estruturalmente falando, um Jicky deixado a secar no sol, onde as partes mais animálicas se suavizaram, dando espaço para que a mistura de um aroma de lavanda seca, ervas, madeiras e coumarina acabasse prevalecendo. Holy Shit começa com um aroma seco e herbal, com um toque especiado bem evidente, algo que me lembra cravo, canela, lavanda, manjericão, menta. Já nessa fase é possível perceber um eco bem distante de civeta, que lhe dá um toque mais carnal sem dominar a composição. Aos poucos, a fragrância migra para uma base com nuances amadeiradas, um cheiro amendoado suti e um aroma de incenso resinoso.
Em um segundo momento, Holy Shit e sua abordagem clássica me faz pensar que Omer, intencionalmente ou não, fez um perfume com características bem próximas ao trabalho do grande mestre da pintura, Rembrandt. Para começar, isso se percebe pela temática sacra explorada em ambos. Em um segundo lugar, o equilíbrio das notas aqui me remete justamente ao efeito dos contrastes entre escuridão e luz que você percebe nas obras de Rembrandt. Em um último lugar, ambos exploraram, cada um em seu campo, a dramaticidade sem perder a mão na técnica ou nos detalhes. É esse equilíbrio entre arte e técnica aqui que tanto me agrada, algo que eu teria perdido se tivesse deixado meus preconceitos prevalecerem.

English:
A lesson I have learned during my years searching fragrances to review is always ask for all the creations of an specific brand - even the ones you understand that you won't like. Now and again I am amazed at the creations that I was sure I would hate and ended up winning me the way the thematic was dealt.
The Pekji perfumes is an independent brand in the best of its definition: the work of one man - Omer Ipekci, artisanal production, focus on aromas itself and personal concepts to the author in question; but make no mistake, the result of the Omer creations, even if still unknown for now, show a perfumer with a watchful eye for both the interpretation of his concept as a concern with the technical execution and perfection of what it produces.
I decided to start with Holy Shit precisely because it is what I thought I would hate. I do not hide my disgust for animalic scents, creations loaded in civet or chords that make me remember the smell of feces. But if there is a part that is literal in Holy Shit it's the sacred inspiration. The perfume itself is like a mixture of sacred and profane, an ode to primitive perfumery, a contrast of incense, animalic scents, herbs and resins.
I I see two different things in Holy Shit, and I think they are responsible for my apraisaisal of this fragrance. The first: in his honor to the origins of perfumery in the most direct way, ritual incense use, in some way Omer just honoed one of the perfume "sacred" creations of nineteenth-century perfumery Guerlain Jicky. In my imagination, Holy Shit is, structurally speaking, a Jicky left to dry in the sun, where the most animalic parts softened, making room for mixing where a dry scent of lavender, herbs, woods and coumarin ended prevailing. Holy Shit starts with a dry, herbal aroma with a spicy evident touch, something that reminds me of clove, cinnamon, lavender, basil, mint. Even at this stage it is possible to smelç a very distant echo of civet aroma, which gives you a more carnal touch without dominating the composition. Gradually, the fragrance migrates to a base with woody nuances, a subtle almond smell and a resinous scent of incense.
In a second way, Holy Shit and his classic approach makes me think that Omer, intentionally or not, made a perfume with very similar characteristics to the work of the great master of painting, Rembrandt. To begin with, this can be felt by the religious theme explored in both. In a second, the balance of the notes here brings me precisely the effect of contrast between darkness and light that you see in the works of Rembrandt. Finally, both explored, each in its field, the drama without losing hand in the art or in the details. It is this balance between art and technique here is what pleases me, something that I would have missed if I had left my prejudices prevail.