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10 de mai de 2015

Natura Shiraz Fragrance Review


A decisão da Natura de criar em 1993 o Shiraz foi sábia. Um ano antes, Feminite du Bois se tornou um sucesso de crítica e público e foi considerado por muitos como o primeiro perfume amadeirado feminino. Não que anteriormente madeiras não entrassem em composições clássicas femininas, mas em Feminite du Bois isso atingiu um nível considerável, uma parte chave da fórmula, da utilização do aroma de cedro numa fórmula exótica e quente e bem sensual. Em Shiraz, a Natura manteve fielmente os elementos que tornaram Feminite marcante e único, e no relançamento dos 40 anos da marca o seu aroma permaneceu tão bom quanto o Feminite original.
O Segredo de Shiraz e Feminite, na minha opinião, é a forma como o cheiro amadeirado é criado, a partir de uma verdadeira overdose de iso e super. Em 1993, Feminite (e supondo que Shiraz mantenha as mesmas proporções), utilizou a maior quantia de iso e super num perfume, passando até mesmo os níveis de criações como fahrenheit e tresór, perfumes que o antecederam: 43% da fórmula é iso e super, que combinado com o cedro é o responsável pela parte amadeirada, equilibrada no aroma mineral e abstrato. Eu diria que Shiraz compartilha mais do que apenas o iso e super com Tresór. Tresór talvez tenha sido o precursor ou o perfume que junto com o Eternity lançou as bases da perfumaria moderna nos anos 90: perfumes criados com blocos de poucos sintéticos em grandes quantidades, responsáveis por auras agradáveis, lineares e persistentes, e decorados por diversos elementos naturais ou sintéticos. Shiraz tem o toque adocicado de pêssego do Tresór e também parte da maciez almiscarada, mas a sua fórmula é uma complexa combinação de impressões. Percebe-se um uso discreto de musgo, o cheiro de ameixa, o aroma mais verde e amargo da bergamota, o aroma quente e especiado da mistura de cravo e canela. A combinação de elementos é o que para mim torna Feminite, de forma interessante, complexo e ao mesmo tempo um bloco exótico de uma viagem de especiarias, frutas e madeiras ao oriente.
Shiraz mantém tudo isso, nas mesmas proporções, o que cria um maravilhoso perfume exótico para a consumidora brasileira que não tinha acesso aos importados. Acho brilhante o nome dado pela empresa, que enxerga além da idéia do "primeiro perfume amadeirado feminino" e captura todo o mistério e complexidade de seu aroma oriental ao sugerir a cidade de Shiraz, capital do império persa, rica em história. Esse é um caso que valia a pena ser copiado e oferecido a um público mais amplo e é um perfume que deveria continuar ainda no catálogo, pois não há nada igual a ele.