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17 de mai de 2015

Hiram Green Shangri-La Fragrance Review



Português (scroll down for english version):

A segunda produção da marca independente e natural Hiram Green tem um toque misterioso em seu conceito. A princípio, fiquei intrigado pela escolha desse nome em uma homenagem aos chypres clássicos do passado, mas bastou fazer uma pesquisa para perceber que há uma relação intrínseca entre Chypres e Shangri-la.
Essa é uma cidade do livro Horizonte Perdido, do autor britânico James Hilton. Ela é descrita no livro como um vale místico, bucólico, um sinônimo de paraíso na terra, um lugar utópico onde as pessoas são vivem em uma terra isolada do mundo em um estado de permanente alegria. Shangri-la para seus visitantes é como um mundo novo possível desejado ou um lugar assustador e opressivo, no meu entendimento devido ao seu estado de utopia e isolamento.
A família Chypre é uma espécie de Shangri-la da perfumaria desde o seu início com a criação do Coty Chypre em 1917. A combinação principal de patchouli, musgo de carvalho, labdanum e bergamota tinha e ainda tem um ar misterioso, harmônico e bucólico, como um paraíso utópico perfumado que pode ser desenvolvido de diversas maneiras, mantendo ainda sim seus principais aspectos de abstração, harmonia e mistério. Da mesma forma que Shangri-la, Chypres clássicos podem ser vistos por uns como um paraíso perdido no tempo no qual se deseja estar ou um lugar fora da realidade assustador e opressor talvez, ainda mais se compararmos o caráter denso e multifacetado de um Chypre clássico com a aura menos complexa de um perfume atual, feito para ser facilmente entendido e agradar o maior número possível de pessoas.
Em Shangri-la, Hiram Green recria o paraíso bucólico de Coty Chypre e Mitsouko. É como se para mim eles nunca tivessem mudado por causa de restrições ou alterações no gosto dos consumidores. Ainda sim, Shangri-la não é exatamente uma cópia de nenhum deles, não possuindo tão evidente o aroma lactônico de pêssego do Mitsouko ou a aura mais seca e terrosa do Chypre. Em Shangri-la eu percebo mais evidente a parte doce e meio amarga da bergamota, que por alguns instantes me dá água na boca. Ela é a abertura para um belo aroma de jasmim, doce, com um quê de laranja e uva, um link sutil com Moon Bloom. O jasmim aqui evita o tom áustero dos clássicos chypres e sua maior evidência faz esse paraíso mais encantador para mim. A iris parece conferir um toque terroso controlado, elegante, que evolui para uma base amadeirada, harmônica, menos densa no labdanum e no patchouli e com mais vetiver na composição.
De fato, algumas idéias param no tempo. Não por que se tornarem velhas, mas talvez por elas sempre terem existido e nós como seres humanos apenas descobrimos suas maravilhas e as associamos com aquele momento. Eu assim vejo essa criação natural, um paraíso de harmonia, abstração, uma recordação de um passado clássico que pode ser revivido e apreciado. Entendo que estou entre o grupo de pessoas que não se importariam em viver nessa utopia de um passado onde a qualidade, arte e criatividade eram bem mais importantes.

English:
 The second production of independent and natural brand Hiram Green has a mysterious touch in the concept. At first I was puzzled by the choice of the name in homage to the classic chypres from the past, but a search was enough to understand that there is an intrinsic relationship between chypres and Shangri-la.
This is a city of the book Lost Horizon by British author James Hilton. It is described in the book as a mystical valley, bucolic, a synonym for paradise on earth, a utopian place where people are living in isolated land from the wold in a state of permanent joy. Shangri-la for your visitors can be both desired as a possible new world or a frightening and oppressive place, in my view due to their utopia state and isolation.
The chypre family is a kind of Shangri-la of perfumery since its beginning with the creation of Coty Chypre in 1917. The main combination of patchouli, oak moss, labdanum and bergamot had and still has a mysterious air, harmonious and bucolic, as a fragrant utopian paradise that can be developed in many ways, still keeping its main aspects of abstraction, harmony and mystery. Just as Shangri-la, chypre classics can be seen by some as a lost paradise in time at which you want to be or a a scary and oppressive place outside the reality perhaps even more if we compare the dense and multifaceted character of a classic chypre with less complex aura of a current perfume, made to be easily understood and please the greatest number of people.
In Shangri-la, Hiram Green recreates the bucolic paradise of Coty Chypre and Mitsouko. It's like for me they had never changed because of restrictions or changes in consumer taste. Still, Shangri-la is not exactly a copy of any of them, not having so evident peach lactone aroma of Mitsouko or more dry and earthy aura of Chypre. In Shangri-la I realize more obviously the sweet and bitter bergamot nuances, which briefly gives me a mouthwatering effect. It is the opening to a beautiful scent of jasmine, sweet, with a hint of orange and grape, a subtle link with Moon Bloom. Jasmine here avoids the austere tone of the classic chypre and its more evident presence that is the most enchanting side of this paradise for me. The iris appears to confer a controlled earthy touch, elegant, which evolves into a woody base, harmonic, less dense in labdanum and patchouli and with more vetiver in the composition.
In fact, some ideas stop in time. Not because they become old, but perhaps they have always existed and we as humans just discovered its wonders and associate with that time. I just see this natural creation, a harmonious paradise, abstraction, a reminder of a past classic that can be revived and appreciated. I understand that I am among the group of people who would not mind living in this utopia of a past where quality, art and creativity were more important.