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19 de mai de 2015

Frederic Malle - Dries Van Noten Fragrance Review



Português (scroll down for english version): Dries Van Noten representa uma nova direção explorada por Frederic Malle em 2013 com a expansão, dentro de sua linha, do processo de criação para não apenas incluir a sua curadoria olfativa relacionada a seleção dos melhores trabalhos dos perfumistas que lhe agradam, mas também ligar essa seleção ao trabalho de um estilista cujo Frederic diz ter ideais parecidos com o seu, Dries Van Noten. Dessa forma, é como se Malle fosse um intermediário, uma espécie de consultor com todo expertise capaz de garantir que Van Noten consiga abrir parte do seu controle criativo e ainda sim ter um resultado final que reflita sua marca e o que ele é.

Nascido em uma família relacionada a moda, a impressão que eu tenho com relação ao trabalho de Van Noten é que ele une a riqueza de cores, estampas, camadas e tecidos mas ainda sim com uma execução impecável, que privilegia o comforto e que produz uma peça de vestuário com o objetivo final de ser usada, e não apenas exposta. E é a mesma lógica que Malle, Van Noten e o perfumista Bruno Jovanovic seguem aqui em Van Noten.

Se há inovação em Van Noten, eu diria que se resume a execução ao redor da nota de sândalo sem que ela soe unidimensional. Dries Van Noten trabalha a textura do sândalo em justaposição com a doçura aconchegante da baunilha e o aroma do patchouli, quente, aconchegante, adocicado, de nuances terrosas. O Sândalo usado em Van Noten é proveniente de uma nova safra de sândalos indianos sustentáveis, o que nos permite apreciar novamente a maciez cremosa e de aroma amadeirado seco porém macio. Se há uma nota de base que pode ser vestida para ganhar riqueza e se tornar multidimensional é o sândalo, e a combinação com a baunilha, patchouli e, secundariamente, com o açafrão estendendo o lado cremoso, picante e atalcado da idéia, complementado pelo cravo e pela noz moscada. O a madeira de guaiac parece dar um volume amadeirado controladamente exótico a idéia e a base de musk utilizada amplia o teor quente, macio e aconchegante da idéia. O interessante para mim é que as notas mais leves e voláteis acabam não aparecendo muito: jasmim, limão e bergamota não são perceptíveis, acabam se perdendo no calor amadeirado, picante e resinoso da aura de Van Noten.

Para mim, o resultado final reflete o que Van Noten queria, de forma que o seu perfume me parece rico e exótico. Entretanto, é aconchegante, convidativo, passa longe de ser assustador, ameaçador, conceitual demais, exótico de uma forma não usável. Seu perfume me parece feito com uma legítima preocupação comercial ao mesmo tempo em que não abre mão de uma boa qualidade e execução impecável da fórmula, o que deveria ser, na minha opinião, o padrão de mercado da perfumaria como um todo.

English:

Dries Van Noten is a new direction explored by Frederic Malle in 2013 with the expansion, within its line, of  the creative process to not only include his olfactory related curated selection of the best work of perfumers that suit him, but also connect this selection with the work of a designer whose Frederic said to have ideals similar to his, Dries Van Noten. Thus, it's like Malle was an intermediary, a kind of consultant  with all the expertise able to ensure Van Noten can open hand partly of the creative control and still have an end result that reflects his brand and what he is.

Born into a family related fashion, the impression I have regarding the work of Van Noten is that it unites the richness of colors, prints, layers and fabrics but still with a flawless execution that focuses on comfort and produces a garment with the ultimate goal of being used, not just exposed. And it's the same logic that Malle, Van Noten and the perfumer Bruno Jovanovic follow here in Van Noten.

If there is innovation in Van Noten, I would say it comes down to running around the sandalwood note without  making it sound one-dimensional. Dries Van Noten works sandalwood texture in juxtaposition with the warm sweetness of vanilla and the aroma of patchouli and its warm, cozy, sweet, earthy nuances. The sandalwood used in Van Noten comes from a new crop of Indian sandalwood sustainable, allowing us to reassess the creamy smoothness and soft but dry woody aroma. If there is a base note that can be worn to gain wealth and becoming multidimensional is sandalwood, and the combination with vanilla, patchouli and secondarily with saffron extend the creamy, spicy and powdery side of the idea, complemented by clove and the nutmeg. The guaiac wood seems to give one controllably exotic woody volume into the idea and the musk base used broadens the warm, soft and cozy texture on the idea, It's interesting to me is that the lighter and volatile notes end up not showing much: jasmine, lemon and bergamot are not noticeable, they end up losing heat in woodsy, spicy and resinous aura Van Noten.

The end result seems to reflect what Van Noten wanted, so that his perfume is rich and exotic. However, it is warm, inviting,  far from being scary, threatening, too conceptual, exotic in a non-usable form. Its scent seems done with a legitimate business concern while that does not give up a good quality and flawless execution of the formula, which should be, in my opinion, the industry standard of perfumery as a whole.