Pesquisar este blog

17 de mai de 2015

Bruno Fazzolari Lampblack Fragrance Review

Português (scroll down for english version):

Bruno Fazzolari faz parte da nova safra de perfumistas independentes que tem produzido belos trabalhos que unem um senso artístico apurado a uma boa execução e usabilidade de seus produtos finais. Bruno é um pintor e uma pessoa que tem os seus sentidos entrelaçados de forma sinestética, assim para ele as cores e aromas possuem conexões intrínsecas que apesar de existentes não são tão evidentes para nós.

O perfume lampblack está relacionado a essa pintura feita por ele e é um ode do artista a um dos pigmentos mais clássicos da pintura, o pigmento preto obtido das fuligens negras das lâmpadas de combustão. Na minha visão de sua pintura abstrata, a luz e o seu subproduto parecem se misturar em um conceito que explora tons de escuridão, como se ela não fosse absoluta do ponto de vista dos aromas e cores associados.

Lampblack é conceitual e ao mesmo tempo bem usável. Há algo em seu cheiro na saída que é metálico, emborrachado, quente e oleoso, onde as nuances negras, que remetem a tinta, da nargamota criam primariamente esse efeito. O vetiver contribui de forma secundária, principalmente pelo tom emborrachado e o aroma amadeirado verde escuro. Percebo também a pimenta e suas nuances amadeirada e incensadas contribuindo para realçar o efeito de tinta da nargamota. Misturado a eles está o cheiro cítrico mais amargo, efervescente e um pouco doce da combinação de grapefruit com a laranja doce.
É interessante que da mesma forma que Lampblack brinca com luz e trevas ele também faz uma dualidade entre classicismo e modernidade, linearidade e complexidade. Se você presta atenção em sua estrutura, ele remete distantemente ao cheiro elegante do clássico Habit Rouge, principalmente pelo aroma da bergamota e do vetiver. Ainda sim, seu vetiver conforme passa o tempo se mostra menos pesado, belo porém com uma aura mais direta. Sua base de musk com um quê de incenso, a última coisa a aparecer na composição, me parece bem atual e aconchegante. Quase todas as suas nuances podem ser percebidas logo de cara, o que para mim dá a ele as vezes um quê linear, mas como perfume a impressão que eu tenho ao senti-lo é a mesma que tenho quando aprecio uma obra de arte: primeiramente enxergo o conjunto da obra e aos poucos meus olhos vão descobrindo, destacando e entendo os elementos intrínsecos a ela. É um belo perfume!

English:

 Bruno Fazzolari is part of the new breed of independent perfumers that are producing beautiful works uniting an artistic keen sense with a proper implementation and usability of their final products. Bruno is a painter and a person who has their its senses intertwined in a synesthetic way, so for him the colors and scents have intrinsic connections that despite existing are not so evident to us.
The perfume lampblack is related to this painting done by him and is an ode of the artist one of the most classic paint pigments, the black one obtained from the black soot of the burning lamps. In my view of his abstract painting, the light and its byproduct seem to blend into a concept that explores the dark tones, as if it was not absolutely from the point of view associated with smells and colors.
Lampblack is conceptual and at the same time very wearable. There is something in its scent in the output that is metallic, rubber, hot and oily, where the black nuances, referring to ink, from nargamota primarly create this effect. Vetiver contributes secondarily, mainly by rubber tone and the woody dark green side. I also realize pepper and its woody nuances touted contributing to enhance the effect of ink nargamota. Mixed them is the most bitter citrus smell, effervescent and slightly sweet grapefruit combined with sweet orange.
Interestingly, just as lampblack plays with light and darkness it also makes a duality between classicism and modernity, linearity and complexity. If you pay attention to its structure, it refers distantly to the elegant scent of classic Habit Rouge, especially the aroma of bergamot and vetiver. Still, ist vetiver as it the times passes shows the lighter, beautiful and more direct aura.The musk base with a hint of incense, the last thing to appear in the composition, seems very current and cozy. Almost all its nuances can be perceived right away, which to me gives it sometimes a linear impression, but as perfume the impression that I have is the same as when I appreciate a work of art: first I see the body of work and gradually my eyes are discovering, highlighting and understand the intrinsic elements to it. It is a beautiful scent!