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12 de abr de 2015

En Voyage Perfumes A Study in Water E Durango Fragrance Review


















Português (scroll down for english version):

A impressão que eu tive ao usar o primeiro integrante da Cosmologie Collection, Chang Chang, se confirmou nos usos dos outros 2 que a compõe. Na minha percepção, a temática universalista de elementos vitais que é explorada aqui levou a criação de 3 fragrâncias que apesar de simples e diretas tem níveis diferentes de complexidade e de apelo masculino e feminino. Chang Chang parece ser o intermediário nesses critérios e os outros dois apontam em direções diferentes conforme irei explicar abaixo.
A Study in Water era o que eu mais temia testar. Tenho aversão a perfumes de temática aquática, pois quase sempre são conduzidos de forma pobre e criam aromas que se são aceitáveis me parecem distorcidos, verdadeiros ruídos sintéticos em vez de harmonias. Graças a Deus não é o que a Shelley faz aqui, e seu estudo na temática aquática na verdade explorada o lado sereno, delicado e aéreo de algumas flores brancas, numa preocupação em tentar encontrar um equilíbrio entre boa performance e delicadeza/inocência. A Study in Water é o mais feminino da coleção e para mim o mais simples, mas executado perfeitamente. Sinto uma mistura de aspectos delicados de jacinto, lírio do vale e jasmim, um aroma que retem uma certa cremosidade pálida das flores brancas e um toque metálico bem distante, toque que se mistura com leves pinceladas de aromas cítricos, frutais, verdes, tudo isso apoiado numa base discreta de musk e madeiras. Comparado com Chang Chang Study in Water se mostra um pouco menos duradouro, mas ainda sim com dura tranquilamente umas 6 horas na pele, sendo delicado porém persistente.
Durango é para mim o destaque da coleção. Ainda que a abordagem seja a mesma dos outros, algo mais moderno e conciso em sua evolução, o uso de materiais pouco explorados combinado com bases típicas de perfumes masculinos cria uma impressão única em minha experiência até hoje. Durango representa uma paisagem desértica, explorando os elementos da terra e do sal em uma leitura que também poderia representar terra e ar ou ainda mesmo terra, sal e ar. Durango na minha opinião é incrível e é outra prova do conhecimento técnico e da criatividade da perfumista. Perceber que os aromas de vetiver, sandalo e (suponho eu) cashmere possam, juntos, ter uma nuance árida e salgada e complementá-la perfeitamente em um ambiente desértico é uma boa sacada. Durango trás em seu aroma mais amadeirado e masculino um interessantíssimo uso de especiarias, que sugerem tons aéreos de incenso, ao mesmo tempo que mostra um deserto feito de uma vida resistente e ainda sim vibrante, com as incríveis folhas de creosote, capazes de ficarem dois anos inteiros sem nada de água e ainda sim manterem sua vitalidade, combinadas a exuberância da flor de cactus. Tudo gira em uma harmonia verde, desértica, com um tom aéreo quente, porém não abafado. Conforme evolui, ela dá espaço para um amadeirado mais cremoso, confortável, de uma bela base que se transforma lentamente da tonalidade amarga e aveludada molhada do cashmeran (ou de alguma outra coisa que passa essa impressão) para o tom mais terroso do vetiver para enfim a cremosidade do sândalo.
Apesar de Durango ser a obra prima na trilogia, as 3 composições são belíssimas, capazes de explorar temáticas recorrentes na perfumaria sem sacrificar performance nem qualidade. Me parecem frutos de um perfumista que mais que dona de um negócio é também uma apaixonada por perfumes e que não compromete isso no que cria.

English:
The impression i had at wearing the first Cosmologie Collection member, Chang Chang, got confirmed in the other two ones that are part of it. In my perception, the universalist thematic explored here create three fragrances that being simple and direct have differenc complexity levels and masculine/feminine appeals. Chang Chang seems to be the intermediate in those criterias with the other two pointing in different directions in the way i'll explain bellow .
I confess that A Study in Water was the one i was the most afraid in wearing. I have an aversion to perfumes with acquatic theme because almost always they are conducted in a poor way and create aromas that while are acceptable still seems distorted, truly synthetic noises instead of harmonies. Thanks God (!) it's not what Shelley does here and her study in the water theme indeed explore the serene, delicate and airy side of some white flowers in what seems to be a concern with find a balance between a good performance and the innocence/delicacy proposed. A Study in water is the most feminine in the collection and for me the simplest one, but perfectly executed. I smell a mixture of delicate elements of hyacinth, muguet and jasmine flowers, an aroma that keep a kind of white flower creaminess a distant metallic touch, this one mixtured in soft brushes of citruses, fruits, green impressions, everything supported in a moderate base of woods and musk.Compared with Chang Chang A Study in Water is a little bit less longlasting, bu t still lasting easily 6 hours in a delicate but lasting way.
Durango for me is the standout in this collection. Even that the approach is the same of the others, something more modern and concise in its evolution, the use of materials barely explored mixed with typical masculine perfume bases crated an unique impression for me in my testing experience so far. Durango represents a desert environment, exploring the earth and salt elements in a rendering that could also be seens as earth and air or even earth, salt and air. Durango in my opinion is amazing and it's a proof ot the technical knowledge and perfumers creativity. To see that the vetiver, sandalwood and (what i suppose to be) cashmere could together have and arid and salty side and perfectly complete it in a desert environment is a great idea.Durang brings behind it's woody and masculine aroma a very intersting use of spices, that suggest airy incense cool touches, at the same time it shows a desert made of a resilient and still vibrant life, with the amazing creosote leaves that come from a plant capable of resist two non-stop years without water and still keep its sap, combinade to a green floral exuberance of the cacturs flower. Everythings seems to gravitate around a greend, salty, desert harmony, with an airy hot touch which is not muffled tough. As it starts to develope, this gives space to a creamy, woody and confortable base, a beautiful one that starts with a bitter, silky and wet cashmeran impression (or of something that i suppose it gives me this impression), to a more earthy vetiver touch to at least ends in a creamy sandalwood embrace.
Altough Durang is clearly the masterpiece in this collection, all the three members are beautiful and capable of exploring its recurrent themes in fragrances without sacrificing artistic quality or perfomance. They seem to me like products of a perfumer which is more than owner of her own business, a perfumer which is also a fragrance lover and that doesn't compromise this in what she does.