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4 de mar de 2015

Parfums de Nicolai Eau du Lude Fragrance Review


Português (scroll down for english version):

 É interessante como alguns perfumes as vezes me despertam questionamentos mais profundos que apenas o cheiro do perfume em si. Essa criação quase desconhecida da Parfums de Nicolai (aparentemente de 2008, talvez ainda em produção, mas sem muitas informações) me fez refletir sobre os diferentes arquétipos que temos dentro do gênero das flores brancas. O jasmim talvez seja a flor que podemos utilizar como base, visto que muitas das moléculas odoríferas da maioria das outras flores brancas podem ser encontradas nele. Lírio, Gardênia, Narciso são flores nas quais nós podemos partir do modelo floral do jasmim, modificando-o para chegar em outras flores. Flores brancas podem ser carnais, angelicais, radiantes, sombriase aparentemente é esse perfil olfativo dos diferentes grupos de flores que determina essa aura que atribuímos a elas. Ainda sim, dentro das flores brancas há outras que fazem pontos de contato com flores como a rosa e o gerânio pelo perfil aromático em partes similar. E por quê eu começo minha avaliação dizendo isso? Pois Eau de Lude, ao se inspirar no castelo de Loire no Vale do Loire me parece sintetizar de forma bela e harmoniosa o aspecto maternal, virginal e puro que o lírio do vale representa, me levando a pensar nessas diferentes imagens básicas que as flores brancas produzem e os perfis aromáticos associados a elas. Esse é um dos arquétipos das flores brancas, um aroma muito apreciado desde os tempos antigos e, pelo que minhas pesquisas puderam indicar, curiosamente relacionado a príncipio com o público masculino em vez do feminino (uma mudança cultural que ocorreu com o tempo, já que hoje é um aroma visto, como a maioria das flores, como feminino). Apesar das poucas notas que eu vi listarem jasmim e madressilva como principais componentes, o que brilha aqui é uma aquarela abstrata de aromas cítricos, verdes, floral-cítrico verde, com uma leve pitada de gálbano. Uma sinfonia que parece soprar no em um campo de primavera um aroma que lembra o tom branco e envolvente do jasmim, o toque de seda e as nuances mais verdes e levemente amargas das rosas, o lado terroso e verde do gerânio e uma leve pitada salgada e apimentada na flor. A base aqui me parece simples, um aroma radiante, um misto de nuances de musk levemente amadeirado que parece envolver o acorde de lírio para que ele dure, sustentando sua beleza. Com certeza é fruto de um perfumista talentoso, capaz de manipular as nuances das notas e das flores para atingir um determinado perfil/imagem de forma perfeita e harmoniosa.

English:

 It's interesting how some fragrances sometimes raise me some questions deeper than the fragrance aroma itself. This almost unkown Parfums de Nicolai creation (apparently from 2008, maybe still yet in production, tough i couldn't find much information) made me reflect about  the different archetypes we can found inside the white flowers genre. Maybe jasmine can be the flower we could use as a kind of base archetype, a white flower model that we can use since many of its aromachemical molecules can be found in other white flowers. Lilly, Gardenia and Narciso are just a few examples of flowers we can achieve based on jasmine, tweaking it by combinations and proportions to achieve their smell. Those white flowers can have different personalities, being carnal, angelical,  Flores brancas podem ser carnais, angelicais, joyful, sober; apparently is this olfactive 'personality' profile of the different white flowers that we end relating to each one. Yet, inside of the white flower genre you can still find some that make bridges in aromatic profiles with flowers like rose or geranium due, again, to similar molecules. Why do i begin my review talking about it? Because Eau de Lude, inspired by the Loire Castle in the Valley of same name, seems to summarize in a beautiful and harminous way one of those archetypes, the aspect virginal, maternal and pure qualities that the lily of the valley seems to represent, making me think of those different images that usually white flowers produce and the typical aromatic profiles associated to them. This is one of the archetypes of white flowers that is widely appreciated since ancient times and that on my researches i discovere it was at first associated with the masculine public instead of the feminine one (i suspect that a cultural shift happen with time, since today this and other flowers are seem generally as feminine). Altough the few notes i found listed jasmine and honeysuckle as the main notes, what shines here is an abstract watercole of citric, green, citric-green flora aormas, with just a pinch of galbanum. A symphony that seems to blow in a spring field, an aroma that remembers the embracing white side of jasmine, the green, silky and bitter nuances citric rose nuances, the earthy and green geranium with galbanum and a quite discreet peppery touch. The base here seems quite simple, a radiant and very longlasting aroma, a mixtyre os musks with woody traces that seems to wrap the lily of the valley accord to make it last, sustaining its beauty. Certainly it's a product of talented perfumer capable of manipulating the other flower nuances to achieve this image/profile in a perfect and harmonious way.