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29 de mar de 2015

Hermès Le Jardin de Monsieur Li Fragrance Review


Português (scroll down for english version):

Além de extremamente usável, alinhado com a estética minimalista e sedosa da casa, há algo de engraçado nesse perfume que fecha a saga de Jardins da Hermés e que funciona basicamente como uma passagem de bastão entre o perfumista oficial, Jean Claude Ellena, e sua substituta Christine Nagel.

A primeira coisa que eu acho engraçada nele é que fica evidente o quanto a Hermés está de olho na sua vizinha de luxo de outro segmento, Cartier. Afinal, agora eles possuem dois dos perfumistas que criaram os 2 maiores sucessos de venda da grife, os dois perfumes que mais geraram flankers para a marca: Declaration Cartier (1998, obra do Ellena) e Eau de Cartier (2001, obra da Christine Nagel). Se vc olha para essas duas criações, fica claro que quando o estilo é minimalista e transparente, Ellena e Nagel trabalham por caminhos diferentes e de formas similares e a impressão que eu tenho é que esse Jardin de Monsieur Li é uma obra conjunta do minimalismo de ambos.

Segundo, eu acho bem engraçado que esse jardim imaginário de um Monsieur tenha uma aura floral delicada e luminosa que muitos associariam mais a uma Madame Li que um monsieur; Le Jardin é, seguido do Un Jardin Sur Le Toit, um perfume que está no limite dos gêneros.

A terceira coisa que eu acho engraçada aqui é que cada vez mais percebo que para atingir uma aura luxuosa, delicada, sem arestas no cheiro, perfumistas usam grandes quantias de componentes sintéticos, justamente a palavra que se você comentar com um usuário comum ele irá associar com um perfume barato. Apesar desse jardim ser um jardim de jasmim, uma das flores favoritas do Ellena, eu diria que é um jardim imaginário da molécula que mais emula jasmim nos perfumes, Hedione. Certamente há alguma outra molécula sintética de jasmim estendendo seu cheiro e dando lhe nuances mais cremosas, mas Monsieur Li me parece basicamente um perfume vegetal almiscarado com hedione no centro. A saída é interessante, um tom cítrico verde, com nuances frutais, algo que remete a bergamota, grapefruit e levemente a mamão também. A influência do jasmim luminoso, cremoso e de aspectos frutais se percebe logo em seguida, acompanhado com alguma molécula que também remete a aroma de orquídeas. A partir desse momento é que começa a ficar evidente para mim a influência da Christine Nagel nessa composição, em uma base que parece ser uma recapitulação do aroma amadeirado, almiscarado e transparente existente no Eau de Cartier.

É como se esse fosse um Eau de Cartier Essence de Jasmim, que aliás seria uma excelente adição a linha Cartier caso eles resolvam devolver a gentileza da inspiração clara e direta em um de seus sucessos comerciais.

English:

Besides being extremely wearable, in line with the silky and minimalistic aestethic of the maison, there are some things really amusing on this perfume that finishes the Hermés Jardins saga and which also works as a baton pass between the oficcial perfumer, Jean Claude Ellena, and his substitute Christina Nagel.
The first amusing thing for me here is that is very clearly how Hermés is on eye on its luxury neighbour of other segment, Cartier. After all, now they have two of the perfumers that created the biggest sales sucesses of the line, the two fragrances that most generated flankers inside the brand: Declaration Cartier (Ellena's work from 1998) and Eau de Cartie (Christine Nagel's work from 2001). If you look for those two creations, it's clear that when the style is transparent and minimalist Ellena and Nagel work in different ways but in similar forms and the impression that i have is that on Monsieur Li you see a joint work of both minimalist styles.
The second amusing thing for me here is that how this imaginary garden of an imaginary Monsieur has such a delicated and luminous floral aura that many would associate more with a Madam Li than a monsieur. In this sense, Le Jardin is, after Un Jardin Sur Le toit, a fragrance that works on the edge of the genres, a unissex creation almost going into the feminine direction.
The third amusing thing for me here is that i notice more and more that to achieve a luxury aura, delicate, without any rough edges, perfumers seems to use considerable synthetic compound amounts and the synthetic word is seem a lot for the common user as something cheap. So, there is a contradiction, the fragrances that you think are luxury might be loaded with the things you consider cheap. Altough this garden is a jasmine inspired one, one of Ellena's favorites, i would say that is an immaginary garden of the molecule most used to emulate jasmine in fragrances, Hedione. Certainly there is other jasmine molecules extending its smell and giving it creamier nuances, but Monsieur Li seems to me basically a vegetal musky fragrance with hedione at its center. The opening is interesting, of green citrus aura, with fruity nuances, something that reminds me of bergamot, grapefruit and slightly of papaya too. The luminous jasmine influence of creamy and fruity nuances come next and accompanied with some molecule or base that also makes me think of orchids. From this moment is that the Christine Nagel influence starts to be very clear to me in the the composition, with a base that seems like a recap of the woody, musky and transparente base found in Eau de Cartier.
In the end, it's as if this one were an Eau de Cartier Essence de Jasmine, which incidentally would be an excellent addition to the Cartier line if they decided to retribute the kindness of the clear and direct inspiration in one of their most succesful commercial creations.