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29 de mar de 2015

Guerlain Le Plus Beau Jour de Ma Vie EDP Fragrance Review


Português (scroll down for english version):

Enquanto analisava a evolução desse perfume na minha pele, tentando entender o que ele me dizia, comecei a especular que esse novo ode ao amor e romance da marca se encaixa numa estratégia que parece ter começado em 2012 com a transformação do La Petite Robe Noire em um perfume comercial. Esses anos são os anos do retorno do investimento, ou os anos da colheita dos frutos, de uma marca que teve que arranjar uma forma de manter os seus clássicos, história e tradição ao mesmo tempo que se adaptava para manter seus perfumes atrativos para novos públicos e assim garantir a continuidade financeira do seu negócio. Essa estratégia já está consolidada, a grife se tornou atraente e interessante novamente e agora é tempo de explorar e não de inovar ou olhar para o futuro.
Nesse cenário, Le Plus Beua Jour de Ma Vie é claramente familiar, assim como outras criações da marca nos últimos anos. Vi críticas quanto a seu cheiro ser muito doce, mas comparado com perfumes como Iris Ganache, Insolence EDP ou até mesmo o próprio LPRN, eu diria que esse aqui tem uma doçura moderada. A minha principal crítica a seu cheiro seria que ele me parece claramente de um apelo mais comercial que exclusivo, um perfume que poderia ter uma distribuição maior e um preço mais em conta.
Acho curioso que a versão extrato (Bouquet de La Mariee) e EDP sejam tão diferentes ao mesmo tempo que estão fortemente ligadas entre si pela flor de laranjeira. Ela ainda é aqui a principal responsável por dar a cara radiante e nupcial a composição. Só que se em Bouquet de La Mariee as amêndoas pareciam levar o perfume em uma direção mais próxima a do mon Precieux Nectar, o acorde de musks e baunilha, emulando chocolate branco, faz com que a criação nupcial pareça um intermediário entre acordes presentes tanto no Iris Ganache como no Angelique Noire. Ainda sim, a doçura desses se submete ao aroma luminoso, alegre cítrico e doce da laranjeira, que é o que reina para mim na pele. É uma laranjeira similar a encontrada nos perfumes do Elie Saab, porém com o tratamento dos acordes gourmands que simbolizam a marca.
Eu vejo uma composição gourmand sofisticada de laranjeira em Le Plus Beau Jour de Ma Vie. Entretanto, não vejo, pensando de forma crítica, um perfume que pareça voltado ao público mais fiel da marca. Nesses anos de colheita dos frutos, eu diria a Guerlain é para mim como um relacionamento que já caiu na rotina, que não está mal mas que carece de uma pontada de novidade e excitação. Espero que em breve tenhamos um ciclo de inovação, nem que seja pequena, ou de exploração do passado clássico da marca.

English:
While i analysed the evolution of this fragrance on my skin, trying to understand what does it told me, i started to speculate that this new ode to love and romance comming from the brand seems to fit on a strategy that has started on 2012 with the transformation of La Petite Robe Noire in a mainstream creation. Those are the years of the return on investment or the fruit investment harvest from a brand that had to find a way to keep its classics, history and tradition at the same time that it reinvented itself to keep its fragrances appealing to new publics and thus ensuring the financial continuity of their business. This strategy is already consolidated, the brand has become atractive and interesting again and now it's time to explore this and not time to inovate or look further.
In this scenario, Le Plus Beau Jour de Ma Vie is clearly familiar, as it has been happening with other creations from Guerlain on the last years. I have seen critics about its smell beeing too much sweet, but compared with fragrances like Iris Ganache, Insolence EDP or even LPRN, i would say that this one has a moderate sweetness. My main critic to its smell is that it seems clearly of a mainstream appeal than an exclusive one, a fragrance that could easily have a wider distribution and a lower price.
I think its curious that the extrait version (Bouquet de La Marièe) and the EDP seems so different at the same they are strongly linked one another via the orange blossom. She is the main responsible here to give the radiant and bridal face to the composition. But if in Bouquet de La Marièe the almonds seemed to take the fragrance into a direction closer to the one in Mon Precieux Nectar, the musks and vanilla accord here, emulating the white chocolate idea, make this bridal creation like an intermediate between structures found in both Iris Ganache and Angelique Noire. Even tough, the sweetness here is submited into the luminous, happy, citrusy and sweet of the orange blossom, which is what reigns on my skin. It's a flower impression similar to the one found in the Elie Saab creations, but with the typical gourmand accord treatment of the house.
I see here an exquisite gourmand composition, but i don't see, in a critical way, a fragrance that seems made toward the most loyal Guerlain consumer. In those years of fruit harvest, i would say that Guerlain for me is like a relationship that has fallen into the routine, that it's not bad but that lacks a pinch of something new and exciting. I hope that we soon have a new cicle of innovation, even small ones, or commercial exploitation of the brand's past.