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16 de jan de 2015

4160 Tuesdays The Dark Side of Old Havana


Português (scroll down for english version):

 De todas as artes que podem ter paralelos com a perfumaria, as vezes eu tenho a percepção que a que mais se assemelha é justamente as artes visuais, em especial a pintura. Isso para mim pois ambas parecem depender primariamente da perspectiva do espectador: apesar do trabalho do artista ser único e não se alterar, diferentes pontos de vista ou diferentes percepções tornam aquele trabalho múltiplo de uma forma em que podem resultar amor e ódio de pessoas distintas que acabam tendo uma perspectiva distinta. As vezes o que percebemos, por conta dessa questão, acaba sendo totalmente diferente do que os outros percebem e é essa reflexão que me veio assim que eu senti Dark Heart of Old Havana, por dois motivos. O primeiro deles é que eu não o percebo como dark, a parte suja e indólica de sua composição se perde para mim (e eu suspeito que tenha criado já alguma espécie de tolerância para as moléculas de indol, que são usadas aqui e que eu não sinto). O segundo motivo é que eu não o percebo primariamente como um perfume de tabaco, ainda que 18% de sua fórmula seja feita, conforme diz a perfumista, de absoluto de folha de tabaco. Na minha perspectiva, é como se fosse o Bright Heart of Havana, um perfume de frutas cítricas frescas, um aroma frutal suculento e adocicado, cheiro de mel e um jasmim que me é bem evidente. As vezes eu noto o jasmim logo de cara, as vezes eu percebo o cheiro frutal açucarado e as frutas cítricas combinadas, mas o jasmim sempre está presente, distante, com sua nuance que me remete a cera bem evidente. Eu não consigo entender o tabaco aqui, não noto nada que tenha um aroma seco, picante, que se encaixe na minha visão de tabaco, logo suponho que ele contribua com uma nuance de mel ao lado doce e alegre da composição. Acho curioso que conforme Dark Heart evolui eu percebo uma baunilha que me remete a um perfume que eu não esperaria sentir esse tipo de conexão - L'Artisan Dzing. Há alguma fase de um aroma de baunilha, musk e goma que ambos parecem compartilhar, mas que não é uma similaridade explicita ou que dura muito. O único senão que eu sinto nele é talvez a base, que se torna dominantemente feita de musk e baunilha e que para mim poderia ser mais dinâmica, mas a combinação dos outros elementos parece prover detalhes suficientes para torná-lo interessante enquanto caminha para o conforto e linearidade de seu resultado final. Ainda que não seja nada do que eu esperava, o que eu consigo 'ler' de sua composição pelo que eu cheiro é bem interessante.

English:

 From all the fields of art that seems to have parallels with perfumery, sometimes i have the impression that the ones that come closer to it are exactly the visual ones, specially painting. I think that what causes this for me is the fact that both seem to rely on its appreciation a lot of the viewers perspective: altough the artist/perfumer work is unique and doesn't change, different perceptions or points of view makes that work multiple, resulting sometimes in polar love-hate reactions of people that has a different view on it. Sometimes what we perceive is totally diferent from what others or the perfumer perceive and it was this reflection that came into my mind as i tested The Dark Heart of Old Havana on Me, mainly for two reasons. The first of them is that i don't smell it as dark, the dirty or indolic side of its composition is completely lost either on my skin or to my nose (i suspect that i have build up my tolerance to indol molecules in a way that they don't stand out for me anymore like in the past). The second reason is that i don't smell it mainly as a tobacco aroma, even that 18% of its formula is, according Sarah, made of tobacco leaf absolute. On my perspective, this as if it was the Bright Heart of Havana, a creation made mainly of citrus fresh fruits, a sugary and ripe strawberry and jasmine that is quite noticeable to me. Sometimes this flower is my first impression while on other tests i first smell the citrus and sugary fruit combined to only later smell the waxy nuances that reminds me of jasmine. I cannot get the tobacco here, i don't smell anything that has what I associate with tobacco, a dry, spicy and smoky aroma, so i can only assume that to me it contributes with the secondary honeyed nuance to the other smells mentioned. It's curious that as The Dark Heart developes i get a vanilla aroma that reminds me of a composition that i wasn't expecting to see a conexion here - L'Artisan Dzing. There is something like vanilla, musk and something gum-like that both seem to share, but it's not an explicit similarty or one that last a lot to me. There is only one thing that i don't like here, and it's the base, which on me is manly made of musk and vanilla and that could be more complex, but the combination of the opening and heart elements seems to provide me with enough to make it interesting to me while it develops to the comfort and linearity of the final result. Altough it is nothing that i expected, what i can 'read' on its composition by its smell makes it quite interesting.