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29 de dez de 2012

3 Momentos de Destaque - Setembro 2012



Em Setembro fiz algo que sempre desejei fazer, um mês somente de uso de perfumes clássicos, vintage ou descontinuados. Uma coisa que eu me lembro do início do meu interesse por clássicos é ter torcido o nariz para eles. Também os considerava, preconceituosamente, perfumes de antigos, datados. Hoje os vejo como preciosidades de um tempo onde o principal foco era o perfume em si, a criação de um belo, harmônico e sedutor aroma, com a publicidade um ator secundário. Os tempos mudaram e aparência prevaleceu sobre a essência e apesar de termos mais lançamentos e opções hoje em dia muito do que se lança é descartável, centrado em modismos, baseado apenas em notas de saída, feito para vender nos primeiros minutos mas não para conquistar e encantar depois que esses minutos passaram. Não que entre os perfumes antigos não existisse criações oportunistas também, mas até essas se preocupavam em criar algo bem estruturado do começo ao fim, que não tivesse apenas uma saída interessante, mas uma evolução na pele condizente com aquela saída. Conhecer os melhores clássicos da perfumaria é como conhecer as melhores obras de arte: eles não perdem seu valor durante o tempo, apenas possuem uma mensagem que é bela e que pode ser sempre redescoberta por aqueles que assim desejarem.


Caron En Avion - Um dos destaques de 2012 para mim vem de uma casa clássica que eu admirava mas pouco conhecia: Caron. Os perfumes caron são belos representantes da elegância aristocrática do velho mundo, e En Avion é um de seus melhores representantes nesse estilo. Inspirado no início da aviação, En Avion me faz pensar hoje em um ambiente de um avião restaurado com caras peças de couro, que exalam seu aroma tratado, engomado, com um perfume resinoso e picante, de um floral seco que provem da flor de cravo, uma das assinaturas olfativas da casa, e da rosa. O extrato de En Avion é talvez um dos perfumes mais luxuosos e encantadores que eu tive chance de usar em 2012.


Christian Dior Diorella - Diorella é um dos perfumes que representa para mim a essência da grife Dior. Enquanto a Chanel sempre passou, por seus perfumes mais fiéis a tradição, uma aura sóbria, fria, e sofisticada, e a Guerlain sempre me pareceu viver entre a dualidade do romantismo e do mistério, a Dior é a que melhor me representa um estilo cheio de vida, alegre, sensual sem ser forçado, inteligente mas brincalhão quando lhe é conveniente. Diorella, a irmã mais nova de Eau Sauvage, em sua versão vintage é um perfume que pega a estrutura aromática de Eau Sauvage, seu aroma de couro, e acrescenta-lhe uma grande dose de sensualidade e calor com um belo aroma de um jasmim verde, frutal, que encaixa feito uma luva nas ervas e aromas cítricos e lhes confere ainda mais frescor e doçura. É uma das obras primas do mestre Edmond Roudnitska, um perfume diferente dos padrões atuais, que encaixa camadas de belos aromas do começo ao fim com perfeição, com uma sinfonia cheia de calor e vida e que é viciante de ser ouvida.


Jean Patou 1000 - Ainda que desconhecida dos dias de hoje, a Jean Patou foi uma maison de roupas e perfumes tão influente quanto Chanel em no século 20. Foi uma das pioneiras em oferecer uma linha de perfumes que complementasse a estética de sua alta costura, linha que se tornou ainda mais importante no período da crise de 29, onde suas clientes que não poderiam mais pagar pelas suas roupas caras ainda poderiam se deliciar com seus sofisticados e caros perfumes. Uma coisa que difere Jean Patou dos designers atuais é a visão de perfumaria - enquanto os designers atuais usam os perfumes apenas como um veículo de aumentar sua renda e de divulgação mais barato da marca, os perfumes Jean Patou foram feitos, desde o início, para serem ricos, caros, mantendo a essência da grife. O que eu noto da linha de perfumes Jean Patou é que é uma das mais sofisticadas e consistentes da perfumaria, que sempre usou o que há de melhor em seus perfumes. 1000 é um dos que ainda podem ser encontrados atualmente e um de seus mais complexos. Seu nome é proveniente da história de que foram necessários mais de 10 anos e 1000 tentativas para chegar a fórmula perfeita. Isso pode ser observado pela complexa evolução de Mille (como ele é chamado em francês) na pele, que vai de uma sensualidade frutal e floral cremosa, um rico bouquet de osmanthus, iris, rosa, jasmin e ylang-ylang, para uma base progressivamente mais sóbria e masculina, carregada em aromas amadeirados e acourados, na vesão original, no aspecto terroso do musgo de carvalho. 1000 é exuberante, mas não é brega ou exagerado. É um dos símbolos do luxo traduzido, sem poupar recursos, em formato de perfume.