Pesquisar este blog

31 de dez de 2012

3 Momentos de Destaque - Dezembro 2012



E hoje, 31 de Dezembro, finalizo o propósito que tinha estabelecido em 2011, de catalogar os 365 dias do meu ano em 2012 por meio de 365 perfumes diferentes. Tive a idéia após ler uma reportagem na revista SuperInteressante que falava de um fotógrafo que tinha catalogado e tirado foto de todas as suas refeições durante um ano. Resolvi fazer o mesmo, só que voltado para perfumes. E ao voltar agora e escolher 3 destaques de cada mês, me sinto orgulhoso com o resultado. Conheci ótimas criações, pude aproveitar e tentar entender mais de grifes que eu sempre admirei e tive, como sempre, a chance de ser surpreendido com lançamentos nas quais eu fui cético desde o começo (e creio que o melhor exemplo disso é o perfume de agarwood da Ferrari, grife a qual eu sempre associei na perfumaria a mediocridade e falta de luxo). As escolhas de Dezembro parecem óbvias para mim devido aos perfumes do mês estarem frescos na minha cabeça ainda. São 2 lançamentos e uma amostra que já estava a muito tempo em minhas mãos e que eu não me interessava em provar e que acabou sendo uma grande surpresa no final das contas. Para finalizar a introdução, aproveito e desejo a todos que eu já conhecia e que conheci em 2012 e que me acompanharam em 2012 um excelente 2013, perfumado com o que há de melhor de acordo com o gosto de cada um!


Chanel 1932 - É a escolha mais óbvia de Dezembro para mim, o perfume que me pegou de surpresa, desarmado, e me conquistou de uma forma que eu não esperava. Como fã dos clássicos da grife, vê-la novamente dando espaço a um deles me dá uma alegria sem tamanho. Não há um momento sequer que eu não amo em 1932, uma nota que destoe, da saída até a base, e tudo soa sinfônico, sedutor, inesquecível para mim - os aldeídos frescos, levemente florais, o aspecto sedoso da iris, o aroma levemente frutal do ylang, o jasmim não indólico, o delicioso sândalo da base, a baunilha e o musk usados com sabedoria. Esse é um perfume do qual eu poderia, mês após mês, continuar falando coisas positivas, pois muito me agradou.

Vero Profumo Mito - Mito não foi exatamente uma surpresa, pois já conheço a linha inteira dessa perfumista e sei que é uma linha especial, apoiada solidamente no estilo clássico e com abordagens mais modernas. Mito complementa essa linha mantendo o asepcto clássico e a concisão da marca - com poucos mas sofisticados perfumes em estilos aromáticos diferentes. Mito é o integrante floral, cítrico e herbal, inspirado em uma das viagens mediterrâneas de Vero Kern, e que captura o contraste entre a sensualidade floral e o aroma herbal de um jardim mediterrâneo. E o que ele se propõe a fazer o faz com perfeição - do aroma cítrico e fresco, ao aspecto verde, meio amargo, das ervas, ao aroma floral branco, não indólico e de aspectos frutais, a terrosidade amadeirada. É um clássico moderno que continua a herança de criações como Diorella, Cristalle e Eau Sauvage, estando a altura desses 3 mencionados.

Penhaligon's Amaranthine - Amaranthine foi uma dupla surpresa, como perfume da Penhaligon's e como criação de Bertrand Douchafour. A criação se destaca de boa parte da linha dessa marca britânica que é apenas passável em boa parte de suas criações clássicas, mas que investiu e foi bem sucedida nesse floral sedutor denso e de bela complexidade. É também uma surpresa pelo perfumista, que aqui abandona o estilo incensado de suas composições e se encarrega de criar um complexo floral, uma reprodução ultra-realistica de ylang-ylang, que complementa a sensualidade da flor extentendo sua nuance de banana com o cheiro das folhas de bananeira e cria uma harmônica evolução onde sândalo, fava tonka, baunilha e couro brilham em meio a diversos outros elementos. Amaranhtine é a estrela da noite, de entrada triunfal e saída inesquecível, um perfume que não economiza em momento sequer na sua tarefa de conquistar pelo seu aroma.