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29 de dez de 2012

3 Momentos de Destaque - Abril 2012



Em Abril, fiz algo que sempre curti fazer quando estou escrevendo sobre perfumes, uma sequência temática, nesse caso centrado em uma grife, a Dior. Temáticas assim são interessantes pois te permitem entrar no universo de uma determinada grife, ver o que ela tem para oferecer, perceber, quando existe, ligações não explícitas entre os perfumes e até entender qual é a identidade que ela assume. No caso da Dior, eu diria que uma característica da grife é a metamorfose. Dizer que as reformulações são de hoje seria simplesmente ignorar as várias versões de um dos seus perfumes femininos mais clássicos, Miss Dior. Reformulações incomodam, mas sempre fizeram parte da grife, que já foi diversas vezes afetada por restrições a sintéticos e componentes naturais que compõem seus perfumes. Ainda defendo a grife mesmo com suas reformulações, tirando a confusão feita ao tranformar Miss Dior Cherie em Miss Dior. Tirando isso de lado, ainda com mudanças constantes considero-a uma grife ousada, luxuosa e diversificada em sua linha de perfumes. São tantos que fica dificíl escolher apenas 3. Por isso, decidi, nesse caso, escolher 1 feminino, 1 masculino e 1 da linha exclusiva.

1 - Dior Dune Pour Femme. Dune foi uma das minhas grandes surpresas de Abril, pois é uma das criações da Dior que eu detestava e passei a amar. É um pouco comentado, meio obscuro, mas um belíssimo oriental, exótico, misterioso, não tão gritante e nem tão discreto, uma combinação de uma saída cítrica, um coração de rosas especiadas e uma base abaunilhada e ambarada muito aconchegante. Nunca entendi o amor que alguns blogs tinham por esse perfume até esse ano.

2 - Dior Homme. A Dior é uma das poucas grifes que me passam a sensação de dedicar a mesma verba, cuidado e criatividade tanto para a linha masculina como para a linha feminina. Obviamente, com menos lançamentos para o público masculino, que em geral não é o foco das grifes. Destaco Dior Homme por dois motivos: 1) É um dos precursores do uso da iris em criações comerciais, antes que se tornasse uma tendência a grife se arriscou a lançá-lo, e ainda por cima para o público masculino. 2) Ame ou odeie, Dior Homme é um clássico bem construído, inteligente, elegante. Sua iris pode ser entendida como aroma de maquiagem, mas se observada com cuidado é possível notar seu aspecto mais metálico, acinzentado, que combina perfeitamente com a base mais amadeirada e de nuances gourmands que se desenvolve logo em seguida. A versão atual é um pouco menos atalcada, mas preserva boa parte da elegância do original e vale a pena ser conhecida.

3 - Eau Noire. Eau Noire é outro exemplo de uma grife que não rejeita criações mais arriscadas, artísticas, que sabe reconhecer a beleza do incomum. Eau Noire é um das 3 primeiras criações de uma linha exclusiva de "Colognes", perfumes inspirados nas fórmulas clássicas das Colônias, e que foi extendida numa linha maior em 2010, de mais destaque e uma distribuição um pouco melhor. Eau Noire não é exatamente uma cologne e é um dos perfumes que leva realmente a sério o gênero Noire, com um dos aromas mais densos, secos que um perfume poderia ter na abertura, uma combinação de café e alcaçuz. Conforme evolui, seu lado negro desenvolve para o exotismo da sempre-viva, de nuances ambaradas e de açucar queimado, terminando numa lavanda adocicada, herbal, com aspectos dark também. É um perfume que combina com o frio, que desanda em temperaturas mais amenas, mas que apresenta uma harmonia, complexidade e um aroma diferente, instigante. É um dos melhores da linha exclusiva até hoje (não sendo necessariamente um dos mais usáveis).