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1 de set de 2011

Chinatown - Bond No 9 Avaliação/Review

Notas: Bergamota, pêssego, peônia, tuberosa, gardenia, flor de laranjeira, patchouli, cedro, sândalo, guaiac wood, baunilha, cardamomo

Ainda que existam uma seleção enorme de opções disponíveis dentro da linha Bond No 9, poucos realmente oferecem um produto campeão em todos os aspectos possíveis. A grife prefere fórmulas com um apelo popular, feitas com sintéticos pesados, mas que não condizem com o posicionamento assumido em relação ao preço, distribuição e frasco. Mas se um há casos onde  essa a combinação é vencedora e única é em Chinatown.

Chinatown tem uma identidade delicada e intensa ao mesmo tempo. Do mesmo jeito que seu frasco, que possui um rosa chamativo com flores leves desenhadas ao estilo Ming, Chinatown alterna entre um lado floral sensual intenso e um aspecto frutal sedoso e discreto. Como um bom clássico, Chinatown não é óbvio, e leva tempo para explorar e entender sua riqueza. Há um forte apelo frutal doce, sedoso, levemente fermentado e açúcarado. Esse nem sempre se destaca, as vezes dando mais espaço para o lado especiado se destacar. Ligado a ele está um rico bouquet floral, canforado, com uma aura de mel e um enfoque que se divide entre a gardenia e a tuberosa, utilizando sempre o cítrico um pouco amargo da flor de laranjeira de fundo. Da mesma forma que os clássicos, Chinatown se apoia de forma inteligente numa base com uma aura chypre, um pouco seca, amadeirada, que sugere algo ligeiramente terroso enquanto é abaunilhada na medida certa e aconchegante.

Por sua identidade, Chinatown não agrada a todos, e muitos se decepcionam com ele esperando as maravilhas sentidas pelos outros. Ainda sim, ele é um destaque por ousar criar uma identidade complexa, um perfume que não cai na preguiça da saída agradável e da evolução mediocre e desinteressante. Chinatown não precisa de nenhuma propaganda beirando o nível sexual ou de um nome para estar associado a si - ele se vale pela sua essência, pela qualidade que ele é, por assumir o risco de ser interessante e desagradar a alguns.

12 comentários:

Patrícia Carvalho disse...

Adorei Rick, o post está simples e objetivo, descrevendo com riqueza de detalhes este perfume maravilhoso!

Parabéns!

Paty

Rick disse...

Oi Paty! Muito obrigado pelo retorno amiga, você não sabe como isso é importante para mim. As vezes a gente escreve de forma resumida achando que não irá agradar e acaba tendo uma boa surpresa :)

Bjos,

Rick

Michel disse...

Pois é Henrique, nem todos os perfumes também permitem uma resenha longa, existem perfumes que pela sua simplicidade encantam a nós, sem frescuras, mistura de notas que no fim só nos confundem e fazem a gente não curtir a fragrancia.
Com relação ao Chinatown, encomendei ele no e-bay graças à sua resposta no orkut, estou esperando ele pra presentear a minha esposa, abç!!!!

Rick disse...

Isso é verdade Michel, complexidade nem sempre produz um bom perfume. No caso do Chinatown produz, pelo cuidado em combinar os elementos para produzir um dos melhores se não o melhor perfume da grife. Espero que sua esposa goste do presente!
Abraços!

Diego disse...

Primeiramente parabéns pelo blog, já faz um tempinho que acompanho e gosto muito dos suas avaliações, queria saber qual você acha melhor entre Chinatown e New Harleem, digo em termos de originalidade, qualidade de notas e execução, conheço somente o New Harleem, mas após ler sua avaliação do Chinatown fiquei tentado a pegar o Chinatown.

E uma sugestão, não vi nenhum review de nenhum Frapin, tanto o L'Humaniste quanto o 1270 parecem muito interessantes, se der para fazer alguns review dessa House seria bem interessante.

Abraços!

Henrique/Rick disse...

Muito obrigado pelo comentário e elogio Diego!
Infelizmente não posso comparar os dois, o new haarlem está na lista do que eu preciso provar ainda. O que eu posso te dizer por observação é que ambos estão entre os mais populares da linha. O New Haarlem é mais apreciado em geral pelo homens, e o chinatown por alguns homens, devido a parte floral entre as especiarias e a base amadeirada e chypre. Creio que o Chinatown talvez precise de um pouco mais de tempo para ser apreciado, por isso se você já conhece e gosta do New Haarlem eu recomendaria ficar com ele e arranjar uma amostra do Chinatown para availar o que você acha dele.

Sua sugestão é válida, tenho amostra dos dois aqui, vou ver se em breve consigo escrever pelo menos sobre o Humaniste, que combina bem com o calor de agora.

Abraços!

Rodrigo Fidellis disse...

Olá Rick, acha que esse tende para feminino? Adoro florais, acha que seria usual para homens também? Obrigado. Abraços

Henrique/Rick disse...

Rodrigo, que tipo de florais você usa ou usaria? Acho que isso é que diria melhor se vocÊ poderia ou não gostar dele

Rodrigo Fidellis disse...

Curto florais como Kenzo Power, washinton square e New York Amber. Acha que são semelhantes? Valeu

Henrique/Rick disse...

Rodrigo, nem um pouco semelhantes. O primeiro que você citou é um floral polvoroso com nuances de neroli e iris, e já o segundo e terceiro são baseado em rosas. O Washington square eu não me lembro do cheiro, mas o new york amber sim e para mim ele está mais para um oriental ambarado com rosas do que floral. Todos bem longe do aroma rico em flores brancas com nuances frutadas e a base chypre do Chinatown.

Rodrigo Fidellis disse...

Acabei comprando o Chinatown. Obra prima da perfumaria.Curti muito, apesar de ele tender um pouco mais para o público feminino. Valeu Rick.

Henrique/Rick disse...

As vezes ele tende mais para o feminino, as vezes fica bem evidente o caráter de musgo e madeiras dele, o que mostra uma parte mais unissex. É para mim a única obra-prima da Bond No 9 até agora, um perfume bem multifacetado e enigmático.

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