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7 de set de 2011

Art Collection #02, #08 e #09 - Jacomo Avaliação/Review


Lançado em 2010, o trio de fragrâncias Art Collection é um movimento inesperado para a grife Jacomo, que no cenário atual tinha assumido uma cara mais popular e acessível. A coleção foi feita fora desse cenário, com uma proposta mais artística e seletiva, de perfumes onde a inspiração do cheiro criado se conecta a obra de arte que estampa a sua embalagem. Há um tema em comum entre todos eles, a criação de aromas de aura gourmand nos 3 perfumes que fazem parte da coleção. Chamados de anti-consensuais pela grife, a impressão que se tem ao provar a coleção é a de perfumes que tem uma aura doce, porém um doce equilibrado, complexo, bem elaborado em geral, com um cuidado da abertura do perfume na pele até o momento final na pele. Entretanto, seus cheiros passam longe de uma arte mais conceitual ou complicada, parecendo mais uma galeria de obras de arte com temas populares, bem elaborados, e com alguma pequena mudança. Todos apresentam uma boa fixação na pele, entretanto com um rastro discreto depois de umas 4 horas de duração.



Art Collection #02

Notas: bergamota, lírio do vale, fava tonka, ambar, baunilha, acorde camurça

Em #02, o perfumista cria um perfume transgressor e viciante que parece transgredir as regras exatamente por combinar uma base mais clássica, quente, que poderia ser ultrapassada, a um acorde caramelado e açúcarado de fava tonka. Lírio do vale e bergamota acabam não se destacando nesse perfume oriental acourado, onde os aromas de fundo se projetam desde os primeiros minutos na pele. A combinação de baunilha, ambar e patchouli cria uma aura quente, esfumaçada, doce, aconchegante, sobre a qual a fava tonka entra e sai de foco durante as primeiras horas da evolução. Ela está distantemente relacionada ao Tonka Imperiale da Guerlain, possuindo com ele em comum o aroma açucarado torrado que remete de forma abstrata a caramelo. Em alguns momentos, a combinação de fato soa distantemente relacionada com massinha de modelar, como a grife lista, uma massinha de modelar de cheiro doce. Os momentos finais da evolução revelam uma predominância de ambar e patchouli e duram na pele o dia todo. Dos três perfumes da coleção, é o que possui a aura mais unissex.

Art Collection #08

Notas: cardamomo, gengibre, chá preto, frésia, acorde de leite, frutas secas, canela, mel, ambar

#08 é o que possuía o maior potencial exótico da linha, com grandes chances de destaque para um gourmand diferente e único. Entretanto, a sua evolução exótico é meramente agradável, uma colagem de idéias que parecem inspiradas em outros perfumes com notas similares a dele. O objetivo era criar um oriental especiado incensado, inspirado na exótica figura da sua caixa e relacionado a duas cidades indianas. O resultado é um aroma especiado e quente de chá que é agradável porém não se sustena na pele. A saída apresenta um cheiro picante, cremoso, que remete imediatamente ao Declaration da Cartier. Conforme evolui, esse aroma ganha uma face mais refrescate, um pouco herbal e floral, e remete então ao Kenzo Jungle Homme. Após isso, a próxima innspiração provém de uma mistura de canela, mel e frutas secas que parece retirada do Tea For Two da L'Artisan, porém menos ousada, mais equilibrada. O acorde de leite aparece após essa sequência de notas, que dura a primeira hora do perfume. É um acorde cremoso, rente a pele, e que junto com o ambar cria uma evolução muito sutil e que sustenta o perfume sem sustentar sua identidade. Dos três perfumes da coleção, é o que mais parece direcionado ao público masculino.



Art Collection #09

Notas:  raspas de limão, polpa de laranja, pimenta rosa, acorde praline, manga, canela, baunilha, sândalo

#09 é o represente mais popular e comercial da coleção, com uma predominância frutal que é favorecida hoje em dia principalmente pelo público feminino. Com uma inspiração alegre, jovem, feminina, esse é um frutal que se destaca pelo sua predominância frutal adocicada e seu equilíbrio - como se em cima de uma idéia cítrica alsmicarada fosse construído um delicioso aroma frutal adocicado, não enjoativo, Nos primeiros momentos na pele, há uma harmonia cítrica e frutal, onde polpa de laranja e pimenta rosa remetem ao frutal e azedinho do morango. Conforme evolui, praline e manga dão continuidade ao cheiro frutal, porém mais discreto, dando espaço para que a baunilha, canela e sândalo se destaquem e criem uma bause abaunilhada que não é muito doce mas é confortável, com um quê discreto amadeirado adocicado. Em alguns momentos na pele, #09 apresenta um curioso aroma mineral metálico que envolve os cheiros frutais e remete muito a uma estrutura de um cítrico fougere masculino adaptado para um frutal feminino, onde a adaptação é muito bem feita e não parece destoar da idéia proposta. Ainda que seja voltado para as mulheres, #09 não parece difícil de ser usado por homens e é uma agradável criação frutal para dias de verão, equilibrada em cada um dos aspectos e com uma duração na pele que no geral não se encontra e perfumes predominantemente frutais.

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