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1 de ago de 2011

Opium EDT e EDP - Yves Saint Laurent Avaliação/Review


Notas: coriandro, ameixa, notas cítricas, mandarina, pimenta, jasmim, cravo da índia, begamota, louro indiano, flor de cravo, patchouli, sândalo, canela, raiz de íris, pêssego, lírio do vale, rosas, labdano, bálsamo do tolu, ambar, opoponax, musk, coco, baunilha, benjoim, vetiver, incenso, cedro e mirra

Até o ano de 2010, falar do perfume feminino Opium da grife Yves Saint Laurent era falar de um exemplo clássico onde todos os detalhes foram pensados cuidadosamente com um perfume que impactava pelo nome, cheiro e pelas diversas e sensuais propagandas, tão ricas quanto o perfume em si. Hoje, após sua reformulação, falar do Opium é comentar sobre mais um grandioso perfume morto por reformulações oportunistas.

Opium, lançado no final da década de 70, seria um perfume que definiria o estilo complexo, rico em detalhes, intenso e gritante dos perfumes oitentistas, junto com criações como Poison da Christian Dior e Giorgio de Giorgio Bervely Hills. Opium trazia um perfume inspirado no oriente que não era uma sobremesa doce e harmoniosa como Shalimar. Pelo contrário, Opium trazia uma aura nova, carregada em inúmero elementos marcantes que criavam uma complexa onde frutas, especiarias, flores e resinas criavam uma complexa aura vermelha, incensada e atalcada que instigava pela sua complexidade e parecia viciar, como o nome indicava, exatamente por isso.

As concentrações EDP e EDT giram ao redor da mesma idéia densa e marcante, porém com detalhes e harmonias diferentes para o intenso aroma oriental de especiarias. Na versão EDT, opium dá mais destaque as frutas secas, de um cítrico meio amargo, e dá mais atenção as sensuais flores, atalcadas e doces, em meio ao complexo aroma especiado e incensado que se forma. Já na versão EDP, o carregamento de picantes e doces especiarias criam uma aura carregada de cravo e canela que tempera as frutas e coloca para um segundo plano a sensualidade atalcada das flores. EDP e EDT parecem convergir para a mesma base resinosa e doce, porém de formas diferentes. Na concentração EDT, cada uma das complexas fases estão mais divididas, em um cheiro que marcadamente começa com frutas secas, percorre especiarias e flores e termina no aroma resinoso, incensado e abaunilhado da base. Já na versão EDP o aroma da base se projeta e mistura entre a nuvem de especiarias e frutas secas, criando uma aura doce, defumada e amadeirada que evolui junto com as especiarias e frutas com uma maior harmonia.

Opium se tornou um sucesso tão grande que inúmeras versões foram lançadas pela grife, sejam de frascos de colecionador, concentrações de verão ou em perfumes em óleo. O fato é que Opium também foi ajudado por um nome que se tornou Tabu em sua época, por propagandas que exploravam figuras femininas sensuais e pela sugestão de um perfume viciante como uma droga. Todo o complexo conjunto de elementos fez de Opium um sinônimo da perfumaria comercial dos tempos de ouro da yves saint laurent - polêmica, única e copiada por seus rivais. Mas restrições recentes em materiais presentes em sua fórmula levaram a necessidade de uma reformulação, que não se preocupou em manter um dos ícones da perfumaria o mais fiel possível ao seu cheiro original. Dessa forma, escrever sobre Opium é fazer uma homenagem póstuma a um dos maiores perfumes comerciais orientais, um dos mais marcantes aromas de incenso e canela já existentes, morto nas mãos daqueles que tem transformado a grife num fast-food de sensualidade barata e esquecível.

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