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27 de ago de 2011

Les Nombres d'Or Vanille - Mona di Orio Avaliação/Review


Notas: Petit Grain, Laranja, Cravo, Rum, Vetiver, Sândalo, Guaiac, Ambar, Fava Tonka, Baunilha, Ylang - Ylang

Em Les Nombres d'Or Vanille, Mona di Orio utiliza a sua técnica da proporção aurea de uma forma diferente das outras criações da linha. Vanille é diferente das outras criações por não possuir uma estrutura onde a nota principal predomina enquanto as outras essências remetem a sua aura ao evoluirem junto com ela; em vez disso, para o seu perfume inspirado na baunilha a perfumista concebeu uma dissonância olfativa, onde o doce e o amargo convivem em boa parte do tempo durante a evolução na pele.

Vanille abre com uma predominância cítrica amarga e especiada, onde é explorado o aspecto amargo e verde do petit grain e o lado mais ácido da laranja. Eles formam uma interessante combinação com cravo, picante e seco. Nesse ponto, o aroma doce e encorpado do rum confere o lado doce e agradável para harmonizar os primeiros momentos na pele, remetendo de forma distante ao aspecto alcóolico da baunilha. Conforme a aura se transforma, a dissonância é mantida pelo ylang-ylang, este aludindo ao lado floral e discretamente atalcado da nota principal. Em contraposição a ele, o sândalo e guaiac formam uma harmonia amadeirada adocicada e leve, tirando parte do peso do ylang-ylang, que se dominasse muito poderia ser cansativo ao nariz. A Baunilha é deixada para o último momento da evolução, e nele ela reina absoluta com seu aroma cremoso, adocicado, que se apoia de forma bem discreta no vetiver, ambar e na fava tonka, o elemento responsável aqui por unificar Vanille a sutil assinatura olfativa da linha.

Certamente Vanille não é o melhor exemplo da técnica das proporções auras entre os perfumes da linha, ao não possuir de forma tão evidente a proporção entre a baunilha e os outros elementos utilizados. Entretanto, é possível perceber que em cada momento há uma das notas dominantes responsáveis por sugerir um lado da baunilha, enquanto as outras se contrapõem a ela para criar uma dinâmica em cada momento da evolução de Vanille. Isso pode tornar Vanille um baunilha alcóolica e picante que não é para todos, mas é uma que se torna interessante exatamente pelo seu uso não óbvio e direto de uma essência que quase sempre é usada de maneira muito óbvia.

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