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29 de ago de 2011

Les Nombres d'Or Tubereuse - Mona di Orio Avaliação/Review


Notas: pimenta rosa, bergamota, folhas verdes, tuberosa indiana, benjoin, leite de coco, ambar, musk, heliotrópio

Em Tubéreuse, Mona di Orio se utiliza da sua técnica da proporção aurea de forma diferente pois o material que a inspira exige tal tratamento. Todos os outros integrantes da linha (Cuir, Musc, Ambre, Vetiver, Vanille) levam em seu nome ingredientes que costumam predominar no coração e fundo da fragrância. Com as flores, a intensidade está entre a saída e coração, e com Tubéreuse a artista tenta equilibrar essa exótica flor em ambos momentos, criando para ela uma base que posssua elementos em comum e tente criar da melhor forma possível a ilusão de duração da flor até o final do perfume na pele.

Tubéreuse se destaca entre as composições de tuberosa por encontrar uma forma de utilizar a flor de forma realista, relaxada e primaveril. Isso cria um perfume floral que dá a impressão de intensidade nos primeiros momentos, mas que suaviza e se mantém belo, tranquilo e presente do começo ao fim. A princípio percebe-se o lado mais agressivo da flor, com seu aspecto canforado e seu toque verde agressivo vagamente animálico. Entretanto, essa impressão dura os primeiros 5 a 10 minutos na pele, desabrochando logo em seguida num colorido aroma floral de nuances cítricas e florais. A bergamota e as folhas verdes dão um frescor herbal cítrico que é discreto e aparece apenas suavizando o lado dramático, direcionando a flor para sua dominância no coração da composição. É lá que ela é cercada por um acorde especiado doce e frutal, graças a combinação do heliotrópio e da pimenta rosa. A pimenta rosa é evidente e forma um belo par com a tuberosa, trazendo um adocicado picante que harmoniza bem com as flores, deixando espaço para o heliotrópio agir de fundo e dar uma doçura amendoada que é o elo de ligação com a base. Na base, benjoin e ambar aludem muito sutilmente ao aspecto canforado da flor, enquanto o leite de coco e usado com moderação para acentuar o aspecto cremoso do musk ( este com uma faceta floral) que predominará na pele.

A maior dinâmica de Tubéreuse encontra-se em sua saída mas sem descuido com a sua base, produzindo assim um aroma floral que é exótico, é balanceado, é agradável e possui uma doçura envolvente, levemente incensada e brilhante, doçura que se mantém balanceada de uma forma proporcional, atingida provavelmente pela proporção aurea estudada e encontrada pela autora para a fórmula concebida por ela. Tubéreuse se destaca por manter a idéia de um floral exótico de tuberosa de forma real e abstrata, duradoura e complexa, com um perfume floral bem feito, capaz de agradar tanto a mulheres como a homens que ousarem provar dele.

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