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20 de ago de 2011

Burqa - SoOud Avaliação/Review

Notas: jasmim, rosa, violeta, cardamomo, sálvia, couro, benjoim, mirra, tinta negra, guaiac, patchouli, ambar, seiva de borracha, teca

Burqa está entre os perfumes mais misteriosos da linha SoOud, utilizando uma vestimenta tradicional da cultura islâmica como inspiração para uma beleza delicada que é protegida por densos aromas que a cercam. Sem entrar no âmbito polêmico que envolve tal vestimenta, a Burca é uma vestimenta feminina que cobre todo o corpo e é utilizada por alguns segmentos islâmicos para que as mulheres se vistam de forma modesta em público. Burqa, o perfume, faz a mesma coisa com suas delicadas flores ao envolvê-las em uma densa camada de patchouli, couro, ambar e resinas, criando uma bela aura negra que cerca uma beleza delicada.

Burqa não é um perfume chamativo, e ao ser construído assim é um aroma condizente com a modéstia de sua inspiração. Isso, entretanto, não tira a beleza de seu cheiro e o seu enigma. Apreciar cuidadosamente seus detalhes é uma tarefa reservada somente para quem o usa. A aura que envolve suas delicadas, frescas e sedosas flores é composta principalmente pelo patchouli. O patchouli se comporta de forma amadeirada, seca, um pouco salgada, e é possível sentir associado a ele o aroma do couro, da tinta, do ambar e da teca, dando uma aura mais negra, ambarada e de detalhes amadeirados secundários. A seiva da borracha é utilizada de forma mais abstrata, intensificando em partes o aspecto acourado abstrato e o fino aroma de tinta que Burqa evoca.  Mirra, benjoim e cardamomo  atuam de forma secundária ao negro véu, como adornos discretos da beleza floral protegida.

Burqa não apresenta uma evolução comum, onde esperaríamos sentir sua densidade após somente sentirmos a delicadeza de suas flores. Há um inteligente trabalho de projeção da base em primeiro lugar, de forma que é possível sentir suas flores rente a pele e somente após alguns momentos de convivência com o seu cheiro. Há uma aura sofisticada na escuridão protetora de Burqa, uma tensão entre delicadeza e dureza, entre o lado doce das flores e resinas e o seco das madeiras, tintas e couros. O segredo para compreendê-lo é deixar de lado a possível polêmica em seu nome e apreciá-lo sem preconceito, sem medo de sua delicadeza ou sua escuridão, enxergando o belo e fino equílibrio formado.

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