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1 de jun de 2011

Nuit de Cellophane - Serge Lutens Resenha/Review






Notas: Osmanthus, Jasmim, Mandarina

Uma certeza que se pode ter de uma marca que lança mais de um perfume por ano é que em algum momento o seu controle criativo não será feito de forma correta e a grife cederá aos modismos lançando algo que não se parece em nada com o resto de sua linha em geral. Ainda que isso aconteça mais claramente no mundo commercial, a esfera de perfumes de nicho (que também podem ser encarados como mais exclusivos ou artísticos) também sofre desse mal, que tem se acentuado recentemente em seus lançamentos. Serge Lutens parece não escapar desse problema e revelou recentemente com L'Eau e Nuit de Cellophane que é capaz de criar aromas com temas complicados, desconexos e ligados a construções olfativas batidas, com um perfume que segura seu status de exclusividade apenas pelo preço mais elevado e uma ligeira melhoria em relação aos seus concorrentes comerciais.

Nuit de Cellophane divide em uma séria disputa com L'Eau o título de lutens mais desinteressante e descartável da linha. Com um nome brega, non-sense, a inspiração parece evocar uma temática que mistura o uso do celofane na culinária, seu toque transparente e delicado num bouquet de flores e seu uso em fantasias sexuais. A confusão de temas é típica de sua temática recente, ligada ao mundo da alfaitaria, e aqui parece haver uma liberdade criativa com o celofane, ao trazê-lo, supostamente, para esse mundo por meio de uma interpretação olfativa que una seus diversos usos. Entretanto Nuit de Cellophane possui uma abordagem tipicamente comecial, que estimula o usuário por meio de conceitos que nunca são traduzidos de forma livre na criação do aroma.

Ainda é possível estender Nuit de Cellophane para a temática árabe, entretanto para o seu lado mais curioso.Muitas marcas árabes mantém a tradição de sua perfumaria, porém copiam e interpretam livremente best-sellers comerciais, criando nomes locais a eles e melhorando a qualidade das matérias primas utilizadas.. É essa a abordagem que vemos em Nuit, que utiliza-se de notas frutais e florais consagradas em criações como Jadore e Tresor sem reinterpretá-las sob o estilo artístico da grife. Nuit é simplesmente, como uma cópia árabe, um perfume que oferece a clientela da marca um perfume comercial com um preço exclusivo. A estrutra é extremamente previsível, começando pelo aroma frutal sedoso, que lembra o cheiro de pêssego, evoluindo para um floral delicado com adocicado apimentado típico de composições que utilizam a pimenta rosa, terminando numa base amadeirada almiscara indistinta. Se há alguma associação com o material celofane aqui, parece limitar-se somente pela mais óbvia, a transparência.

Como um perfume, Nuit de Cellophane cumpre o mínimo ao oferecer um agradável aroma que dura um tempo considerável e não é invasivo. Entretanto, para reconhecê-lo como um perfume de Serge Lutens é necessário que o seu cheiro esteja atrelado ao nome da marca e ao frasco, pois num teste cego ele diverge drasticamente do estilo de outras composições. Lutens desperdiça seu orçamento criativo aqui como uma idéia que já é perfeita e abundante na perfumaria comercial e não precisa de uma cópia exclusiva que nada lhe acrescenta.  Esse é um erro claro que acontece com a maioria das grifes quando a pressão por seguir umm cronograma de lançamentos apertado e constante passa por cima de uma avaliação crítica do que será lançado.

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