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6 de jun de 2011

A*Men - Thierry Mugler Resenha/Review


Notas:
Coriandro, lavanda, notas verdes, notas florais e especiadas, menta, bergamota, mel, patchouli, leite, caramelo, cedro, sândalo, ambar, musk, benjoim, baunilha, café


Mugler é uma das poucas marcas que, como Jean Paul Gaultier, tem uma preocupação acima da média no mercado comercial com o que é lançado tanto para o público masculino como para o feminino. Na maioria dos casos, é comum ver uma grife lançar um perfume feminino marcante, bem construído, intenso e se aproveitar do sucesso para lançar uma versão masculina rala, aguada e que mais parece uma junção de clichês batidos e que agradam mais pelas idéias publicitárias amarradas a ele e pelo frasco do que pelo cheiro em si. Há poucos casos bem sucedidos de uma exploração conjunta e coerente de um par de perfumes masculinos e femininos, e Thierry Mugler está entre os estilistas que criou um par assim quando lançou em 1996 A*MEN, a continuação para o público masculino do bem sucedido Angel.



Em uma época onde a corrente principal de lançamentos pregava a transparência e limpeza por meio de temáticas aquáticas sintéticas, A*MEN parece um sucessor da temática pesada oitentista, sobre um novo contexto, um contexto que não se importava em misturar notas doces a bases amadeiras e ambaradas. A idéia tinha mostrado impactante com o lançamento de Angel, que estava muito a frente do seu tempo ao derrubar em 1992 a linha que separava notas masculinas e femininas, combinando uma base densa em patchouli e ambar a um acorde caramélico e sensual. A*MEN traz idéias parecidas, porém com outra execução. Na ala masculina, é acentuado de uma forma marcante um complexo aroma gourmand, que se transforma do começo ao fim em mistura com as ervas, resinas e madeiras que cruzam seu caminho. A princípio, esse acorde foca num conceito mais frutal e mentolado, envolto em um aroma de alcatrão que torna os primeiros momentos de Angel o choque de um cheiro, e de certa forma a junção foi, para a época, algo alienígena que pouso no mundo asséptico e esportista da perfumaria dos anos 90. A mensagem, entretanto, não pára por aí, e esse Anjo, ou talvez criatura de outro espaço, continua a propagar sua diferente mensagem por uma modulação gourmand caramélica, onde é possível sentir o aroma do caramelo em um momento, o do chocolate em outro, e o do café por último. Quando chega nesse momento, Amen mostra que apesar de ser um ser de outro espaço ele possui similaridades com os terraqueos, trazendo, sob uma nova ótica, uma base amadeirada e ambarada, formada por notas extremamente utilizadas nos anos 80, o patchouli e o ambar.

Como o universo masculino não está acostumado a fragrâncias assim, A*MEN leva quem o prova a se pocisionar contra ou a favor de sua mensagem vinda de outra mundo. A*MEN nos lembra que, às vezes, somos tão surpreendidos com um aroma complexo e diferente que se posicionamos a seu respeito sem prestar atenção em sua mensagem ou sem absorvê-la. Se a mensagem vem em um par de perfumes intensos, que infelizmente se banalizaram pelo uso indiscriminado e incorreto, essa mensagem tende a ser mais polêmica ainda. Mas, de certa forma, A*MEN apenas tomou, e antecipadamente, a dianteira de um processo de renovação comum nos gostos de uma geração para outra. É bem capaz que, daqui uns anos, A*MEN se torne o clássico que muitos amaram odiar e que com o tempo passaram a compreender.

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