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2 de jun de 2011

1826 Eugénie de Montijo - Histoires de Parfums Resenha/Review


Notas: Bergamota, Laranja Mandarina, Flores Brancas, Violeta, Gengibre, Canela, Patchouli, Incenso, Baunilha e Ambar

Um característica bem marcante quanto do Patchouli é sua versatilidade. A complexidade de seu cheiro faz da matéria-prima um perfume completo em si só, que varia entre fases amadeiradas, canforadas, verdes e úmidas, doces. O que poucos talvez percebam é um dos lados mais delicados do Patchouli, sua nuance atalcada, que muitas vezes acaba se perdendo em meio a outras de suas facetas, mais intensas e dominantes. A grife Histoires de Parfums explora, e de forma muito bem sucedida, exatamente esse belo lado dele, criando em Eugenie de Montijo uma composição ambara luminosa, radiante, que envolve o patchouli em um refinado boquet de flores, especiarias, e incenso.


Quando foi criada no início da década de 2000, a grife escolheu um caminho arriscado ao eleger como sua fonte de inspiração artística a criação de aromas que envolvessem matérias primas luxuosas associadas a personalidades históricas, recriando parte da história dessas personalidades por meio de fragrâncias de qualidade. O difícil dessa abordagem olfativa é produzir algo que se adeque ao gosto do consumidor e que ainda esteja relacionado artisticamente com o estilo da época e as preferências das personalidades que a inspiram. Some-se a isso o fato de que, com o passar dos anos, as matérias-primas vão mudando, conforme algumas ficam raras. Ainda que não seja exatamente possível comprovar o link de 1826 com a sua era e materiais, a interpretação desenvolvida pela grife para imperatriz francesa Eugenie de Montijo (nascida em 1826) é de uma beleza tão refinada e radiante quanto a própria imperatriz.

Eugenie foi a última imperatriz francesa. De origem espanhola, casou-se com Napoleão III após conquistar seu coração com seu modo elegante, discreto, conservador. Eugenie é conhecida por estar ligada a moda, contando a história que uma das possíveis origens da crinolina estar relacionada com a imperatriz. Conhecida também pela sua paixão pelos perfumes, sendo Eugenie uma das clientes da Guerlain, o patchouli é uma nota que ficou historicamente relacionada ao seu gosto olfativo e é o ponto de partida da grife para sua interpretação olfativa da personalidade de Eugenie.

1826 demonstra um cuidado interessante na combinação de ambar e patchouli. Ainda que as duas notas sejam as principais estrelas aqui, não há em nenhum momento a intensidade típica delas, utilizada em geral para dar uma estrutura sólida e duradoura para a base de muitos perfumes. Ambas são trabalhadas em um discreto e duradouro aroma, delicado sem parecer banal, elegante, de uma fina complexidade que só é possível devido a um trabalho dedicado sobre o tema. 1826 utiliza-se das características da imperadora e de sua beleza para capturar o aspecto atalcado do Patchouli e combiná-lo com um luminoso ambar. Envolto a temática, 1826 evoca uma discreta aura gourmand em meio a um bouquet de flores brancas e especiarias. Percebe-se a baunilha em uma quantidade pequena conferindo um  adocicado cremoso ao atalcado luminoso e acetinado do patchouli, ao passo que gengibre e canela dão toques especiados envolvendo as violetas e flores brancas que estão envoltas na luz radiante e sempre presente do patchouli e ambar.

Com perfumes discretos, há sempre a dificuldade de conciliar fixação e execução, e 1826 consegue fazê-lo perfeitamente. Vale a pena prestar a atenção na sua elegante aura e tentar capturar os detalhes da sua combinação de baunilha, flores, especiarias e incenso em meio ao sempre presente patchouli e ambar. Creio que se Eugenie estivesse viva até hoje se encantaria com essa interpretação moderna e aristocrática interpretação do Patchouli, que toca no aspecto gourmand do gosto olfativo do consumidor atual sem deixar de lado a parte mais atalcada e vintage da nota. 1826 é um tomo olfativo que vale a pena ser experimentado por aqueles que curtem Patchouli e procuram uma execução da nota diferente de sua usual intensidade.

2 comentários:

Dâmaris - Village Beauté disse...

Belíssima resenha. Somada aos fatos históricos então...primorosa.

bjos
Dâmaris

Rick disse...

Oi querida amiga Dam!
Eu gostaria de ter ido mais a fundo sobre a imperatriz, porém o tempo não me permitiu. Parece ser uma personagem histórica interessante, e que teve um belo perfume associado ao seu nome. É raro ver algo discreto, duradouro e complexo assim.
Bjos!

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