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5 de mai de 2011

La Myrrhe - Serge Lutens Resenha/Review


Foto by Nathan Branch. Todos os direitos reservados a ele.

Notas: aldeídos, mandarina, mirra, lotus, amêndoas amargas, mel, jasmim, ambar, musk, especiarias, pimenta

Nem sempre Serge Lutens segue o caminho olfativo que seus fãs esperam ao ler sobre suas criações. Apesar de ser famoso pelo estilo orientalista de vários de seus perfumes, inspirados no oriente e ricos em especiarias, frutas suculentas e doces, ambar, resinas, a sua predileção pelo rico, complexo e estranho não o impede de trilhar caminhos que são as vezes mais clássicos ou sutis. La Myrrhe é uma dos produtos do Palais Royal que teria tudo para se encaixar no mundo árabe de lutens, mas que vai por um caminho mais difícil e tenta utilizar essa resina numa estrutura floral clássica.

La Myrrhe, a princípio, não apresenta com evidência a mirra prometida no nome, passando primeiro por fases retrôs de cheiros que se enquadrariam perfeitamente em algo disponível nas perfumarias dos anos 20 e 30, época na qual perfumes predominantes em aromas aldeídicos passaram a fazer sucesso após a criação de Chanel No 5. Lutens parece se inspirar nele para criar em La Myrrhe uma saída aldeídica, cintilante, de aromas cítricos e florais que remetem a um sabonete aromático sofisticado. As flores parecem ir se intensificando com o tempo, deixando a parte saponácea e aldeídica da saída e criando um acorde floral verde, ligeiramente amargo. É em sua base que la myrrhe diverge dos clássicos e vai na direção mais adocicada e especiada que esperaríamos de um perfume de serge lutens. A mirra se torna evidente, com o seu aroma resinoso e atalcado complementado pelas especiarias, pela cremosidade do musk e pelo amadeirado seco do ambar. Essa mirra parece manter um aspecto mais aéreo e persistente, de uma base que se mantém num sussuro doce e resinoso durante boa parte do dia.

Ainda que fora do estilo que Lutens domina e cativa a maioria de seus fãs, La Myrrhe é um de seus trabalhos que se torna interessante pela junção do novo ao clássico, na tentativa de enxergar composições clássicas sob outras perspectivas. Não é um de seus trabalhos mais cativantes ou polêmicos, e sim uma prova de que seu estilo pode ser atemporal e unir tendências do passado a idéias do presente.


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