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31 de mai de 2011

Fumerie Turque - Serge Lutens Resenha/Review


Notas: mel,  zimbro, fava tonka, camomila, patchouli, baunilha, tabaco, estoraque, camurça

Ainda que a fonte de inspiração Árabe de Serge Lutens seja o Marrocos, o autor na temática árabe de seus perfumes estende-a para regiões significaticas do ponto de vista olfativo. Com determinados blocos de cheiros, Lutens interpreta tradições de uma forma densa e estabelece alguns links entre elas. Fumerie Turque dentro da temática árabe é uma de suas criações que, junto com Rahat Loukhoum, captura aspectos olfativos históricos da Turquia e nesse caso valendo-se de cheiros utilizado previamente em Chergui, Ambre Sultan e Arabie para reproduzir um rico e denso fumo de nuances resinosas e acouradas.

Se em Arabie Lutens utiliza o tabacco de forma suave, em meio as frutas e especiarias, e em Ambre Sultan e Cherguie essa nota parece evocar das combinações ambares, resinas e mel utilizadas de forma diferente em cada um dos dois, aqui Lutens interpreta de forma direta o aroma olfativo do tabaco em uma de suas origens, nos Balcãs, dando a ele um tratamento oriental esfumaçado e intenso do começo ao fim. 

Fumerie primeiramente apresenta o lado mais seco e herbal, para aos poucos revelar um complexo uso de mel e camomila e zimbro, que envolvem o tabaco em uma fina camada especiada, floral seca e de um melado ligeiramente animálico. Aos poucos, como se esse tabaco aromatizado fosse acendido, fumerie turquie revela seu lado mais esfumaçado, com um misto de incenso, resinas e ervas queimadas, um aroma que remete, de certa forma, ao costume que vemos em cenas cinematográficas em clubes masculinos onde os homens da sociedade se reúnem para discutir assuntos assuntos relacionados ao seu universo enquanto apreciam o tabaco aromatizado de seus cachimbos.  A fase final de fumerie turque transforma finaliza a interpretação do tabacco focando em sua nuance amadeirada e ambarada combinada com um discreto uso de couro para conferir um reforço ao lado ambarado, enquanto utiliza a baunilha para dar um discreto toque adocicado a uma composição onde o que predomina é um denso fumo seco, picante e incensado.

Fumerie completa com uma execução digna dos melhores perfumes da marca o quadro orientalista que parece se formar indiretamente entre os lutens acima mencionados. O fumo, antes um componente de fundo de outras inspirações artísticas, ganha uma interpretação que é digna da riqueza de seus detalhes, permitindo uma apreciação de seu cheiro seco, resinoso, incensado, picante, ligeiramente doce e melado sem os malefícios que o consumo prolongado e intenso do fumo pode trazer a saúde. Ainda que Fumerie Turque possua uma execução e notas perfeitamente compartilháveis, seu cheiro parece perfeito a homens que desejam evocar uma aura sofisticada e a riqueza de um costume que parece ter se perdido na sociedade moderna.

2 comentários:

Átila Rodolfo disse...

Meu pai odeia quando uso meu FT! Diz ter cheiro "das profundezas do inferno", de morto-vivo recém saído da catacumba ... kkkk, na verdade ele associa tudo que tenha patchouli destacado com morte e coisas fúnebres. Concordo que seja um perfume difícil para o nosso clima e média de gosto comercial. Entretanto ele me empresta muita personalidade para dias mais amenos e especialmente para noites frias. Não é um perfume festivo. É contemplativo. Combina mais com um jantar entre amigos, no máximo um barzinho mais intimista do que com boates e baladas. Minha irmã insiste que ele tem cheiro de perfume de "vô". Deve ser a mescla de couro, tabaco e madeiras lutensians (mofadas e picantes).

Henrique/Rick disse...

Comercial ele não é mesmo, mas infernal eu nunca tinha feito o link rsrs Acho intrigante como o olfato é um sentido tão pessoal e associativo, as vezes um elemento só é o suficiente para fazer esse tipo de conexão que as vezes só a pessoa mesmo que pensou nela consegue vi. No frio ele é realmente aconchegante, e contemplativo, concordo com o que você disse. Resumiria que ele é um perfume para connoisseur de perfumes e apreciadores de composições atabacadas.

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