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18 de mai de 2011

Fourreau Noir - Serge Lutens Resenha/Review


Notas: Fava tonka, musk, amêndoas, lavanda, nuances de fumo

É quase curioso, considerando a experiência prévia de Serge Lutens na fotografia e maquiagem, que sua série recente de incursões aromáticas inspiradas no mundo da moda seja uma das mais fracas de toda a linha. Seus retratos olfativos dessa fase ou beiram um abordagem comercial desinteressante, como L'Eau e Nuits de Cellophane, ou se aproximam muito perto do conceitual e correm o risco de não serem usáveis, como Serge Noire. Não há nenhuma coesão entre cada um deles, e as idéias parecem desconexas dos cheiros criados com base nelas. Nesses casos, a combinaçao de outros temas, aliados ao retorno do estilo clássico de Lutens é o que garantem os destaques fase, caso de Fille en Aiguilles e Fourreau Noir.

Fourreau Noir traz a metáfora do mundo da alfaiataria para um duplo significado, onde seu nome, traduzido do francês, pode tanto representar uma bainha preta que adorna um punhal ou ainda um estilo de vestido feminino. Nem mortal, nem feminino, Fourreau Noir parece mais relacionado a ala masculina da alfaiataria, onde uma nota clássica fougere, a lavanda, ganha contornos orientais e levemente amêndoados. A lavanda em forreau noire é similar a lavanda encontrada em Rochas Man, que por sua vez parece um filho moderno do clássico Caron Pour Un Homme. Em Fourreau Noir, a base de fumo que cerca a lavanda, combinada com o musk e a fava tonka, criam um sério e elegante terno aromático masculino, completado pelo aroma da lavanda, que parece tratada para deixar seu aspecto medicinal de lado e assumir mais seu lado herbal. As amêndoas são como pequenos detalhes nessa peça, que em alguns casos se destaca, conferindo um aroma ligeiramente amargo e doce na saída, mas que na maioria das vezes parece integra a estrutura de fundo. É possível perceber também uma citação a um frutal seco, recorrente em vários de seus trabalhos,  sugerido quando fava tonka e musk se destacam entre o cheiro da lavanda.

Fourreau Noir é uma rara exceção dentro da série inspirada no mundo da costura de Serge Lutens, onde mesmo a execução distante do conceito proposto consegue garantir um raro momento onde uma nota clássica recebe uma sólida roupagem nova, criando um cheiro duradouro, balanceado, elaborado de tal forma a perseguir sua idéia principal, uma nova interpretação da nota de lavanda, criando uma adequada base incensada, coumarínica e amendoada. Fourreau Noir, mais relacionado a frequente reinterpretação lutensiana de estilos e notas clássicas, se destaca sozinho e com distância dentro de uma temporada duvidosa de lançamentos da marca. Até mesmo os desenhos do frasco limitado, no geral integrados com a idéia proposta no nome, não possuem conexão alguma com o nome e conceito propostos.

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