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14 de mai de 2011

El Attarine - Serge Lutens Resenha/Review

Notas: Sempre-viva, musk, mel, madeiras

Ainda que Lutens tenha durante o seu histórico de lançamentos progredido em outras direções diferentes das raízes árabes que o fascinaram, com certa frequência vemos ele voltar a esse cenário e explorar sua rica beleza. As vezes novas criações resultam desse processo, e em outros casos uma peça desse complexo quebra cabeça é transformada e vista sobre uma nova perspectiva ligada a originalmente mas diferente o suficiente para justificar sua existência. El Attarine, sua criação exclusiva de 2008, volta ao rico mercado de especiarias capturado em Arabie e o reinterpreta de uma forma direta, luminosa e floral.

Alguns elemtentos da complexa justaposição de perfumes e cenários olfativos são trazidos para El Attarine, que os utiliza de uma forma mais direta, explorando suas intensidades combinadas com a beleza e exoticidade da sempre viva. Focamos agora numa visão área dele, solar e luminosa, onde a sempre viva lança seu doce, e exótico aroma açúcarado com aspectos secundários queimados e amadeirados. A parte aldeídica confere uma saturação ainda maior ao floral exótico e traz para o centro da composição o cominho. Há um uso mais direto, ainda que não descrito nas notas oficiais, de damasco, que parece menos adocicado e mais frutal aqui. Mel, musk e madeiras dão um contorno de calda açúcarada, cremosa e amadeirada ao belo floral aldeídico e exótico que se descortina por boa parte do tempo nessa outra visão que temos do mesmo mercado árabe de Arabie.

El Attarine pode ser encarado por alguns como uma simplificação desnecessária do rico, complexo e aconchegante Arabie, e isso seria uma desvalorização de seu belo resultado. El Attarine explora o constraste entre o cheiro e a luminosidade, o aconchego e a exoticidade, como se todas as notas fossem vistas sob uma intensa luz que ressaltasse apenas alguns de seus lados e permitisse que um belo e exótico floral fluísse entre todos os outros aromas. Esse belo attar pode não ser tão multifacetado, mas explora com inteligência e elegância a visão luminosa ao qual ele se propõe.

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