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28 de mai de 2011

Douce Amere - Serge Lutens Resenha/Review


Notas: Canela, Baunilha, Lírio, Jasmim, Flor de Tiaré, Absinto, Anis, Tagete, Malmequer, Musk, Cedro

Quando Serge Lutens liberou na internet informações de que quatro perfumes da linha de exportação passariam para a linha disponível somente em Paris, surpreendeu muito mais a presença de Santal Blanc e Douce Amere nessa lista do que Miel du Bois e Chypre Rouge. Os dois últimos sempre causaram reações extremadas e pareciam mais adequados em sua linha mais conceitual e clássica. Douce Amere, entretanto, é um dos Lutens cuja a mistura de aromas não é complicada, muito menos difícil de usar, e é um dos poucos na linha que consegue balancear o exotismo do autor, a sua temática orientalista e seu lado mais minimalista e transparente.


Douce Amere é inspirado principalmente no cheiro do absinto, que fascina o diretor criativo da marca pelo seu aroma verde e complexo, um misto de amargo e doce. Lutens alia o cheiro verde do absinto a uma interpretação menos saturada dos seus acordes orientalistas, que aqui são utilizados como um suporte secundário; musk, cedro e um uso bem sutil de uma nota atabacada (não presente na lista oficial de nota) criam um fundo aconchegante que dá espaço a temática verde do absinto para se desenvolver. A baunilha claramente é usada aqui para reforçar o lado doce, enquanto que as flores e a canela criam um especiado floral leitoso que é verde e um pouco amargo e é utilizado para estender o lado oposto que dá nome a fragrância.

É provável que Douce Amere não tenha feito sucesso ao ser lançado por contrastar com o estilo que o autor adotou anteriormente em sua linha entre o período de 1992 e 2000. Ainda que Douce Amere sugira em seu nome uma exploração de opostos, os opostos aqui não são trabalhados de forma impactante, e sim numa iniciativa que os une de uma forma moderada. Douce Amere combina várias das notas favoritas de Lutens, mas de uma outra forma mais discreta, o que o torna um dos mais fáceis de serem usados, ainda que esse estilo comprometa em partes sua fixação, que é moderada em contraste com a longa duração dos mais intensos da linha. Uma coisa curiosa quanto a idéia de Douce Amere é que um ano depois, sem a temática do absinto, Lutens criaria um perfume relacionado secundariamente a Douce Amere e que se tornaria um dos mais populares de sua linha - Chergui. Douce Amere pode não ser tão impactante quanto Chergui, mas vale a pena ser provado caso você goste dele e enquanto ainda é possível achá-lo em sua versão de exportação.

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