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23 de mai de 2011

Chypre Rouge - Serge Lutens Resenha/Review


Notas: tomilho, pinho, noz-pecã, gomas de frutas, mel, cera de abelha, jasmim, patchouli, ambar, baunilha, musgo e musks

A linha lutensiana é diversificada, oferecendo criações conceituais e até um pouco assustadoras, como Iris Silver Mist e Tubereuse Criminelle, aconchegantes e ricos aromas especiados orientais,como Arabie e Chergui, e deliciosas memórias olfativas provenientes da cozinha, como Jeux de Peau e Rahat Loukoum.Há, entretanto, como em todas as grifes com um catálogo muito vasto, perfumes dispensáveis, representados aqui por Serge Lutens L'Eau e Nuits de Cellophane, e criações que falham em cativar o público em geral, mostrando-se mais adequadas como edições restritas ao Palais Royal do que disponíveis de forma mais acessível e comercial. Isso tem se mostrado uma realidade com a descontinuação de alguns Lutens em suas versões de exportação e em spray e sua movimentação para as edições no formato em Bell Jar. Chypre Rouge é um dos casos que falhou ao cativar o público em geral e foi movido para um status mais exclusivo junto com o Miel du Bois, Santal Blanc e Douce Amere, criações que também se mostraram com o tempo mais fracas para uma exploração comercial mais abrangente.

Chypre Rouge é um divisor de opiniões dentro da linha, causando em muitos reações de repulsa e comentários que não poupam palavras em descrever o quão ruim é seu aroma. O provável motivo para isso é dissonância de suas notas, em um cheiro que procura explorar uma memória olfativa de um aroma chypre para uma fantasia onde tal aroma ganha conotações vermelhas intensas. Mesmo que Chypre Rouge seja avaliado por muitos como um resultado final insatisfatório, distante da família Chypre, e que o conceito de um musgo avermelhado pareça absurdo, o resultado final é uma homenagem clássica que utiliza a criatividade do autor para burlar as restrições técnicas a principal nota dessa família olfativa, o musgo de carvalho. O amargor e a densidade abafada amadeirada do musgo de carvalho é reproduzida em Chypre Rouge por notas que ecoam de forma fracionada tal aspecto.

O pinho em Chypre Rouge contribui com o amadeirado mais seco, secundariamente canforado, enquanto a cera de abelha cria um resinoso animálico amargo que é combinado ao uso permitido do musgo, ambar e musk, criando assim uma base chypre moderna que não possui a intensidade e duração dos clássicos desse gênero mas que evoca de forma interessante e original a idéia chypre. O aspecto avermelhado desse vermelho musgo é proveniente de uma rica mistura de frutas, mel, flores e ervas. Lutens parece interpretar o aspecto frutais de alguns chypres oitentistas extendendo-o na direção de sua assinatura olfativa, as frutas maduras e licorosas. Nesse caso, elas são combinadas com um mel adocicado e seco ao mesmo tempo, e por um sutil toque de jasmim, notas que parecem intermediárias para a base diferenciada chypre.

Chypre Rouge é uma idéia diferente, de certa forma arriscada, e no qual os riscos corridos apresentam como efeitos colaterais algumas limitações que o tornam devido a isso desprezado por muitos amantes da estética mais rica e duradoura da marca. Aos acostumados com a duração intensa dos best sellers da grife, chypre rouge é rente a pele, com uma base amadeirada musgosa discreta. Aos que procuram a harmonia linear e densa, chypre rouge evolui de forma mais comercial, com saída, coração e fundo, sem saturação em nenhum dos seus aspectos. Aos que não apreciam notas consideradas repelentes por alguns, como o Pinho e a cêra de abelha, Chypre Rouge faz delas parte integrante de sua evolução. Para aqueles que procuram uma continuação clássica da elegante família Chypre, ele decepciona por ser um exercício liberal da memória de Lutens sobre essa família, distante da execução clássica e da apresentação olfativa dos chypres modernos. Se nenhuma das alternativas anteriores é um problema para quem o experimente, Chypre Rouge se mostra com o tempo, assim como Miel du Bois, um agradável e diferente perfume, único entre seus semelhantes olfativos. Se você procurar uma composição que una aromas frutais, mel e aromas amadeirados e ambarados secos e amargos, Chypre Rouge é uma boa opção e deve ser provada.

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