Pesquisar este blog

10 de mai de 2011

Chergui - Serge Lutens Resenha/Review

 
Notas:

Mel, musk, incenso, folha de tabaco, ambar, iris, rosa, sândalo,  feno

Como pequenos pedaços coerentes de uma obra de arte maior, os perfumes dirigidos criativamente por Serge Lutens possuem entre si relações olfativas que parecem funcionar como peças de um quebra cabeça. Chergui, entre os mais famosos e vendidos da marca, é uma das partes utilizadas por ele para compor um cenário olfativo que remete ao mundo árabe, aos mercados especiados, ricos palácios de sheiks, ao ambiente desértico. Inspirado num vento seco e desértico do Marrocos, Chergui dá aroma a esse vento quente por uma rica combinação de feno, mel e tabaco.


Diferente de Ambre Sultan, que começa linear e denso, Chergui parece progedir de intensidade sempre mantendo seu aspecto orientalista complexo. A princípio, feno e mel formam uma saída mais delicada, doce com nuances secas e um atalcado floral secundário de iris e rosa. Chergui se transforma aos poucos num vento aromático intenso e forte conforme o aroma de feno é combinado a um mel adocicado e um ambar picante. O Ambar e mel formam a conexão com Ambre Sultan, de maneira secundária, como uma transição entre a temática de mel, tabaco e feno do vento de Chergui e a temática resinosa, especiada e seca de Ambar e Benjoin do Ambre Sultan. Essa conexão se dissipa conforme chergui diminui sua intensidade e volta ser um vento mais perene, agora dessa vez carregando no ar um fraco amadeirado cremoso de sândalo e um incenso almiscarado.

O contraste entre diferentes intensidades em Chergui, aliado as diferentes nuances de seu adocicado aroma atabacado o tornam um dos mais populares na linha entre aqueles que buscam o conforto em sua doçura amadeirada picante. Como um bom perfume oriental, Chergui é ambíguo, oras acentuando mais a delicadeza por meio de sua doçura, oras se mostrando mais masculino pelo caráter seco de seu tabaco, incenso e feno. De todas as peças do quebra cabeça orientalista de Lutens, Chergui é a peça central que melhor reflete seu estilo mutante, complexo, denso e cativante.

2 comentários:

Daniel disse...

Oi Henrique! Eu denovo! rsrs...Lendo sua resenha e as notas que compõem Chergui me veio à memória Versace Dreamer. Têm alguma semelhança? Particularmente acho o The Dreamer interessante, apesar de me parecer muito medicinal e possuir notas muito antagônicas: um tabaco muito amargo e algo como baunilha+mel adocicado. Chergui é assim também? Um grande abraço!

Henrique/Rick disse...

Olá Daniel!
Eu os acho bem diferentes, até pq acompanhando o tabaco no Dreamer tem um acorde floral e um accorde ambarado bem potente. Já para mim no Chergui o que predomina é mais o cheiro do feno, o incenso, o musk, e as folhas de tabaco. O mel é mais um ator secundário. Eu não consigo ver antagonismo na combinação, até pq o tabaco por si tem um aspecto em seu cheiro que remete a mel, o que faz com que combine bem com mel e baunilha (vide Tobacco Vanille). Mas não consigo sentir nem mel nem baunilhano Dreamer não.

Postar um comentário

Comentários com relação a postagem? Escreva aqui
Comments related to the post? Write them here