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16 de mai de 2011

Cèdre - Serge Lutens Resenha/Review


Notas: canela, cravo, ambar, tuberosa, cedro, musk

Entre todos os perfumes existentes na linha Serge Lutens, talvez o mais desorientador seja Cèdre. O nome referencia o cedro, que é muito comum na perfumaria masculina na criação de uma base amadeirada, seca, mas que possua alguma coisa ligeiramente metálica. Surpreende que, em vez de encontrarmos em Cèdre uma exploração, como em outros perfumes da linha, full-hd da nota, onde seria possível perceber detalhes da nota que se perdiam quando ela é utilizada na base da composição, ele vá por um caminho onde a madeira seja uma coadjuvante em meio ao enorme  floral que predomina do começo ao fim; por isso, para apreciar Cédre é necessário deixar o nome e a abordagem rotineira da marca de lado e encará-lo como o floral amadeirado ambarado que ele é.

Cédre, assim, faz parte da temática floral da grife e parece formar um quarteto que explora a dualidade das flores brancas junto com Mandarine Mandarin, Tubereuse Criminelle e Fleurs de Orangeur. Tais criações misturam o caráter inocente, fresco, primaveril e ligeiramente frutal dessas flores com o lado mais animálico, canforado e carnal delas. Apesar de somente tuberosa ser listado em sua pirâmide olfativa, Cédre claramente evoca uma combinação de tuberosa, flor de laranjeira e neróli em meio as especiarias, musk, ambar e cedro que o cercam. A impressão que se tem é que Lutens aqui retoma um dos aspectos do seu intenso, e por vezes assustador, Tubereuse Criminelle e o combina com parte do acorde floral cítrico de Fleurs de Orangeur. O resultado, diferente de Louve, não é meramente uma combinação mais fraca e menos desinteressante, e sim uma criação que controla  a parte mais suja/repelente da flor de laranjeira e o canforado medicinal da tuberosa. Em dias quentes essas nuances são mais intensas, mas num ambiente de temperatura mais moderada a parte mais difícil restringe-se aos momentos iniciais, dando espaço para o seu aspecto cítrico com um fundo frutal silvestre interessante. Canela e cravo temperam de forma sutil essas flores, dando um adocicado mais picante a mistura, enquanto que ambar cedro e musk formam uma base amadeirada ambarada que a envolve até o final da evolução. O cedro aqui não possui o seu cheiro mais seco, costumeiro das criações masculinas, e parece suavizado para combinar com o floral noturno e intenso que se desenvolve sobre ele.

O maior problema de Cèdre não é sua execução, e sim o seu nome. Cèdre não é o amadeirado que o nome promete; se o objetivo era combinar o aspecto metálico e seco da madeira possui fosse combinado ao acorde floral, esse  não é expressivo no resultado final. Desconsiderando esses aspectos, ele é, entre os florais da linha, um dos mais noturnos, combinando bem sua abordagem invernal com o equilíbrio das exóticas flores, deixando emsegundo plano suas nuances complicadas, diferente do que Lutens costuma fazer. Cèdre, entretanto, não funciona em temperaturas quentes, talvez por ser feito de materiais potentes que se atropelam ao evoluir na pele em temperaturas assim, produzindo um resultado desagradável e sufocante.

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