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13 de mai de 2011

Bas de Soie - Serge Lutens Resenha/Review


Notas: Jacinto,Íris

Os perfumes de Serge Lutens sempre se mostraram complexos e dinâmicos mesmo quando compostos para que explorar uma nota de forma saturada, aproveitando a liberdade criativa e utilizando aspectos não convencionais que comercialmente seriam suaviados. Por isso, uma das últimas características que se esperaria de uma de suas criações é o minimalismo, uma tendência atual tanto na perfumaria comercial como na de nicho. Bas de Soie surpreende por explorar esse estilo e  apresentar um perfume que é distante dos clássicos da marca mas alinhado com a falta de uma direção artística clara nos últimos 2 anos. Novamente vemos uma criação lutensiana inspirada no mundo da moda, com um nome que referencia uma peça do vestuário feminino, a meia de seda.


Bas de Soie é uma criação minimalista floral, que utiliza predominantemente o cheiro da íris e do jacinto numa evolução estática, onde a íris aparece e logo divide a cena com o cheiro do floral do jacinto. Delicado e duradouro, Bas de Soie parece mais alinhado com universo feminino sugerido por seu nome sugere do que Fille en Aiguilles, um amadeirado aromático de pinho, vetiver e incenso que é desconexo com a garota de salto que ele supostamente deveria evocar.

Lutens, apesar de trabalhar com um tema executado de forma simples e direta, não cai numa interpetação óbvia que muitos esperariam de Bas de soie pelo seu nome e notas listadas e pela confusão criativa da grife no momento atual. Esse não é uma composição que explora o lado atalcado da íris, e sim uma criação onde há uma predominância de seu lado mais terroso e uma sugestão de seu aspecto metálico. Bas de soie aproveita um dos vários aspectos de Iris Silver Mist de uma forma menos agressiva e mais naturalista. Essa íris parece capturada diretamente da natureza, e o cheiro sedoso de suas pétalas é contraditoriamente envolto em sua nuance terrosa, crua e metálica. Esse bouquet floral vai migrando em alguns momentos para uma mistura onde somente é possível perceber os aspectos das flores sem poder distinguí-las. O metálico e sedoso da iris se mistura a um floral com contornos animálicos vagos e uma forma leitosa e verde floral, que com o tempo abandona a sugestão animálica e foca no jacinto. A partir desse ponto, onde as duas matérias primas que compõem essa seda floral feminina, Bas de Soie se torna fixo e permanece na pele o resto do dia de uma forma bem discreta.

Ainda que não seja uma de suas melhores criações, Bas de Soie contém na abordagem minimalista e direta de Lutens o tom desafiador que seus perfumes mais complexos e clássicos possuem. Ela é adaptada para ser apenas sugerida, por meio do lado metálico e animálico que é rapidamente se dissolve no floral fresco, feminino e polido. A Beleza desse simples bouquet verde e sedoso consiste no frescor e hiperealismo aromático que ele apresenta, evitando o comum e aprendendo com o erro de dois de seus antecessores desse período transacional, L'Eau e Nuit de Cellophane,  dispensáveis dentro da linha.

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