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14 de mai de 2011

Arabie - Serge Lutens Resenha/Review

Notas: cedro, sândalo, casca de tangerina cristalizada, figos secos, tâmaras, noz-moscada, cominho, cravo da índia, cardamomo, folha de louro, resinas balsâmicas, fava tonka, benjoim, mirra, estevas, labdanum, tabaco, musk

Uma coisa encantadora sobre muito dos perfumes concebidos por Serge Lutens é a complexidade de suas camadas olfativas. Inspirado no Marrocos e na cultura Árabe, Lutens em muitos de seus trabalhos compõe tapeçarias olfativas complexas, que oferecem tanto a ser apreciado que é sempre possível voltar a eles para admirá-los sob uma outra perspectiva. Seus melhores trabalhos desafiam o entendimento, puxam a apreciação de forma passional, que leva ao amor ou ódio pelo que se prova, sentimentos que podem inclusive se transformarem de um para outro depedendo do dia que se prova a mesma fragrância. Dentro das composições que Lutens oferece e que juntas formam as peças desse complexo quebra cabeça está Arabie, que personifica claramente a complexidade de camadas, o amor e ódio, a diversidade de perfumes dentro de um mesmo perfume.

Lutens captura em Arabie os diversos cheiros de um rico mercado árabe de especiarias, frutas, ervas e resinas. E como um exótico mercado, o colorido e diversidade de aromas é desafiador e aconchegante ao mesmo tempo. Há uma harmonia entre a combinação de todos os cheiros, mesmo que tal seja intensa e cansativa se observada regularmente. O muito a ser apreciado em Arabie faz com que seja possível perceber diferentes facetas cada vez que se prova ele na pele. Às vezes, a ala especiada e seca o domina, por uma combinação marcante de cravo da índia, cardamomo e cominho, produzindo um cheiro oleoso denso. eM outras ocasiões as especiarias formam o fundo que tempera a ala frutal, regada em um adocicado e espesso mel, dando água na boca com a combinação açúcarada de tâmaras, figos e tangerina, que juntas remetem olfativamente ao delicioso aroma de uma torta quente e especiada de damascos. Outras vezes é possível sentir ala resinosa, espiritual da composição, que a domina dando ao conjunto da obra um cremoso amadeirado, incensado, balsâmico, como uma sucessão de potes que contém resinas, lascas de madeira e incenso.

Observado de longe, Arabie possue em sua aura o mesmo conforto de Ambre Narguile da Hermés, quente e aconchegante, remetendo a aromas culinários ou a um rico tabaco aromatizado. É uma experiência convidativa, que nos leva a querer adentrar em seu aroma para sermos envolvidos pela sua complexa e intensa harmonia de frutas, especiarias, madeiras e resinas. Como uma boa história, voltar esporadicamente a Arabie é sempre garantia de se provar novos cheiros da mesma forma como é possível percebê-los diferentemente cada vez que é feita uma viagem a um rico, colorido e interessante mercado.

2 comentários:

Átila Rodolfo disse...

Licor de sol!!! Adoro o mix de frutas secas com o meio que me remete a mel / âmbar adocicado! Um perfume dourado, pendendo pro amarelo. Um pena que na minha pele o dry-down seja amargo e azeitonado.

Henrique/Rick disse...

É um dos meus prediletos entre os perfumes de Serge Lutens até hoje. Espero que ele não seja reformulado tão cedo...

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