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4 de abr de 2011

Sous Le Vent - Guerlain

Notas: bergamota, lavanda, estragão, manjericão, jasmim, cravo, acorde verde, orris, musgo de carvalho, vetiver, patchouli, acorde amadeirado

Apesar de uma das especialidades da grife sempre ter sido o uso de notas gourmands em produções complexas, quentes, inspiradas no amor, a Guerlain também se destaca na criação de cheiros clássicos, elegantes, que utilizam as notas cítricas com uma qualidade como poucas utilizam. Sous Le Vent é uma de suas criações clássicas, resgatadas de seu vasto catálogo, que retrata perfeitamente uma estrutura aromática complexa e leve, uma colônia clássica transformada por acordes chypres e fougeres.

Restrições ao uso de certas matérias primas impedem que seu cheiro seja reproduzido exatamente como quando foi concebido pela grife para a celebridade Josephine Baker, mas a reconstrução, adequada as restrições atuais, consegue criar uma aura clássica e atemporal, um perfume elegante que transmite a elegância de tempos cinematográficos perdidos na história. Sous Le Vent abre em uma deliciosa saída aromática, cítrica, ligeiramente amarga, onde o aroma da lavanda, estragão e manjericão se combinam para servir de estrutura para uma das melhores interpretações da bergamota disponíveis no mercado. Outros aspectos da composição, como o floral discreto de cravo, jasmim e orris, já se fazem presentes com o lado cítrico. Entretanto, essa exótica composição parece aliar um aroma de uma brisa cítrica e aromática ao caráter seco da base chypre, onde o patchouli e musgo formam um acorde amadeirado, ligeiramente salgado e seco, porém sutil. Há algo de carnal nesse vento exótico, que horas se manifesta como um jasmim adocicado, quase indólico, ou sob o aspecto de um cravo especiado, porém são como partes discretas desse truque simples e sério de retenção pelo maior tempo possível da dualidade entre a refrescância cítrica e aromática e a densidade amadeirada e musgosa do acorde chypre.

Provavelmente, as restrições ao uso do musgo de carvalho tornam a base de Sous Le Vent um pouco menos evidente e favorecem o lado mais aromático e cítrico, o que, felizmente, não compromete o seu ar clássico e charmoso, de um perfume que, criado inicialmente para o público feminino, funciona maravilhosamente como uma sofisticada composição clássica e discreta para o público masculino,  tão atemporal quanto o fascínio pela exoticidade dos trópicos, e da atriz, que serviram de inspiração a sua criação.

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