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24 de abr de 2011

La Petite Robe Noire - Guerlain Resenha/Review


Notas: Limão, alcaçuz, amêndoas, rosas, chá defumado, baunilha, musk

Não é de hoje que moda e perfumaria estão relacionadas. A moda sempre pareceu interferir no hábito de perfumar se e nas tendências olfativas adotadas pelo público e pela indústria. Em La Petite Robe Noire, a Guerlain faz essa referência de uma forma bem direta entre esses dois campos culturais, com uma criação que pretende ser um pretinho básico olfativo no guarda roupa da mulher. Se em outros tempos isso teria garantido uma composição floral rica ou um chypre seco, amadeirado, com nuances frutais, na atualidade o pretinho básico criado pela marca é um perfume gourmand do começo ao fim de sua evolução.

La Petite Robe Noire não é o primeiro nessa era gourmand explícita da marca. A grife encontrou como uma forma de se renovar no mercado e agradar ao público a criação de composições que tivessem inspiração em notas gustativas, mas onde elas fossem o centro da composição, não apenas atores, mesmo que importantes, de um cenário muito mais complexo, como é o caso de criações clássicas da marca como Shalimar, Mitsouko e L'Heure Bleue. Ao mesmo tempo, a grife se esforçou em fazer perfumes gourmands que fossem artísticos, que não parecessem apenas a combinação de aromas doces e agradáveis, colocando assim o perfumista numa posição de um chefe especializado em doces, que utiliza as notas doces para criar obras de arte perfumadas.
A amêndoa, uma das principais estrelas dessa nova fase da grife, é uma peça central desse negro vestido gourmand básico. O aroma da amêndoa aqui é moldado de forma semelhante ao encontrado em Mon Precieux Nectar, evitando utilizar seu aspecto mais amargo e focando em seu lado mais adocicado, em sua nuance que a faz lembrar o cheiro do mel e da cereja. O limão e o alcaçuz são elementos desse estilo gourmand versátil, elementos trabalhados para balancear o cheiro do mel e cereja, contribuindo com uma sutil e rápida abertura cítrica e um aroma mais especiado, um leve tempero. A transição de uma abertura explicitamente gourmand para uma base mais discreta e menos doce é feito de forma rápida e direta, sem muitas transformações. As rosas e o chá defumado formam um fundo floral discreto e sutilmente esfumaçado, que terminam numa base transparente e aérea de baunilha e musk.

Tudo em La Petite Robe Noire é concebido para ser harmonioso, para garantir a versatilidade de um pretinho básico olfativo, que serve em todas as ocasiões se quem o utiliza assim desejar. É fato que esse pretinho básico não é a criação mais original da grife - as referências são claras a Lolita Lempicka, um perfume que fez sucesso entre as consumidoras fãs de perfumes gourmands doces e fortes. Porém, aproximar-se de La Petite Robe Noire esperando encontrar a mesma interpretação olfativa é um erro que pode gerar decepção. Com a idéia da versatilidade, La Petite Robe Noire utiliza as mesmas notas de Lolita porém sem a mesma saturação e intensidade que tal fragrância possui do começo ao fim.

Essa semelhança que ambas criações possuem é a mesma que vemos muitas vezes na moda entre diferentes estilistas, que ao perceberam o sucesso de uma tendência a intepretam para capitalizar em cima desse sucesso, as vezes de forma descarada, beirando o plágio, as vezes fazendo mudanças que nos permitem enxergar novas possibilidades sobre aquela tendência que ainda não haviam sido exploradas. La Petite Robe noire não é um plágio, também não é uma inovação que cria um clássico assim como a grife criou com Mitsouko (um perfume abertamente inspirado no Chypre da Coty). La Petite Robe Noire se propõe a ser básico e agradável ao gosto da consumidora moderna, apresantando de forma diferente aromas que ela já conhece, e dentro desse aspecto ele cumpre o objetivo. Talvez o que deva ser pensado por essa consumidora, da mesma forma que esta pensa quando escolhe as roupas e acessórios que melhor combinam consigo, se esse gourmand básico não é básico e discreto demais para a ocasião na qual ela o deseja usar.

Um comentário:

Dâmaris - Village Beauté disse...

Design lindíssimo! só lamento a tradicional casa não ter inovado... teu texto - muito bom, como sempre! ;) bjs

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