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23 de abr de 2011

Aqua Allegoria Pamplelune - Guerlain Resenha/Review


Notas: Grapefruit, bergamota, neroli, petitgrain, botão groselha,  baunilha, patchouli

Para entender a linha Aqua Allegoria é necessário voltar a suas origens em 1999. Essa era uma época na qual a grife vinha enfrentado uma crise devido a dificuldade de se adequar às mudanças do gosto do consumidor e ainda assim permanecer fiel a sua herança e qualidade, conquistados desde seu início na era napoleônica. Um problema que vinha sendo enfrentado era a complexidade e austeridade de suas criações, que impediam a atração de um público não acostumado com o estilo da casa. Assim, a linha Aqua Allegoria foi criada como uma linha onde a grife poderia experimentar com criações mais simples e suaves, mantendo a qualidade dos ingredientes utilizados mas usando-os em criações fáceis de serem entendidas e usadas. Pelo seu caráter experimental, todos os perfumes da linha são a princípio lançados como edições limitadas e mantidos somente se o sucesso e a demanda justificarem tal ação. Dos 6 primeiros, somente dois continuam como fixos até hoje. E um deles é Pamplelune, um dos melhores da linha e que representa perfeitamente esse estilo que une o simples e direto a qualidade dos clássicos Guerlain.

Pamplelune beneficia seu sucesso em boa parte do talento e estilo da perfumista convocada para criá-lo, Mathilde Laurent. Hoje a frente das criações para a Cartier, na época Mathilde Laurent era perfumista para a Guerlain,  e em Pamplelune ela faz o que tem feito de forma mais amadurecida para a linha exclusiva da Cartier, que é a criação de composições com uma sensação natural, delicada, mas que são concebidas do começo ao fim, onde cada nota se encaixa perfeitamente como parte de um tema simples, escondendo a complexidade por trás da idéia geral a ser passada.

Em pamplelune, a complexidade que Mathilde Laurent traduz em sua criação é moldar todas as notas de forma a transmitir e reter o aroma da graprefuit, cítrico e rápido em sua evolução, o máximo possível. Assim, a perfumista cria um cítrico cintilante, luminoso, que captura inicialmente os aspectos cítrico e sulfurosos que parece emanar da casca da fruta para ir se modulando em diferentes tonalidades da grapefruit, criando assim a ilusão de que o aroma se mantém na pele quando na verdade quem está o reproduzindo são as outras notas, nesse caso a bergamota, conferindo o caráter mais cítrico e fresco, combinada com a neroli e petitgrain, que servem de suporte para o lado mais amargo e floral da nota. Quando não é possível mais segurar o aroma alegre e ensolarado da grapefruit, Mathilde faz uma transição inesperada de seu cheiro para base. Em vez de utilizar-se de uma idéia amadeirada e herbal, uma forma clássica e direta de terminar uma composição cítrica, a perfumista imagina um pedestal ligeramente floral e abaunilhado, onde é possível sentir um boquet de flores verdes em meio a uma baunilha discretamente doce e um patchouli seco e que ressalta a nuance floral verde e azedinha da base.

Ao cuidar de cada detalhe, de cada nota, em uma criação onde a simplicidade deve imperar, Mathilde cria para a Guerlain em sua linha Aqua Allegoria mais um clássico para a grife, e um clássico cítrico para uma marca que sempre criou cítricos de qualidade. Pamplelune não é difícil de entender, sua idéia é transmitida de forma direta e transparente. O que o torna memorável é que não há nenhum outro perfume no mercado que consiga reproduzir de uma forma tão direta e luminosa o aroma da grapefruit como ele consegue, e ainda por cima sem recorrer a nenhum clichê em nenhum momento de sua evolução. Atingir tal feito dentro de uma linha que deve ser introdutória ao consumidor é sinal de um grande talento por parte da perfumista e uma preocupação com a qualidade por parte da Marca.

4 comentários:

Valéria disse...

Eu tenho o Pamplelune e adoro!Nesse calor é o que eu mais uso!

Rick disse...

Valéria, é uma das melhores épocas para usá-lo mesmo. Acho que no calor o cheiro dele se projeta mais da pele. Ontem me surpreendi com a fixação dele, passei um pouco mais e ele durou por um bom tempo em mim.
Bjos!

Ju Macário disse...

Amo suas resenhas! Quero um, mas me preocupo com as críticas à esse perfume. Temo o aspecto xixi de gato.

Henrique/Rick disse...

Ju, obrigado pelo comentário! O aspecto mais ácido da idéia e que remete a cheiro de xixi de gato realmente é bem evidente para alguns. Eu acho que possa ser o uso da groselha nessa composição, é uma fruta que as vezes tem um cheiro estranho para mim em alguns perfumes.

Se o que você estiver procurando for um perfume cítrico, dessa linha tem o delicioso Mandarine Basilic, fácil de gostar com o seu cheiro de tangerina adocicada aliado ao um leve aspecto herbal fresco. É muito bom.

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