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15 de mar de 2011

Dhofar - Xerjoff


Notas: Lavanda, pinho, flor de laranjeira, cravo, patchouli, sândalo, olíbano

Um perfume caro e diferenciado costuma gerar um nível de exigência maior do que um perfume mais acessível. Afinal, espera-se que o investimento a mais feito para adquirí-lo retorne na forma de um produto único, de ótima fixação, evolução perfeita, diferente do que existe a um preço mais acessível no mercado. A qualidade é um ponto essencial, aspecto esse que a Xerjoff compreendeu e utilizou como principal característica na produção de seus perfumes. Entretanto, nem todos utilizam a qualidade das matérias primas para produzir um produto final que seja superior ainda que tenha um estilo similar ao que se encontre por um preço. É o caso de Dhofar, um perfumes da linha masculina com características chypre e fougere e que falha em ambas as famílias olfativas.

A sensação que se tem com Dhofar na pele é a de uma fórmula inacabada, uma idéia inicial simples, um pouco crua, cujos os detalhes ainda não foram ajustados. Dhofar girar boa parte de sua evolução no aroma do cravo, nota extremamente comum nos perfumes oitentistas chypres, conferindo um tema principal especiado, picante, próximo em alguns aspectos do tabaco. Entretanto, as outras notas parecem inexistirem no perfume, e quando aparecem o fazem de forma rápida, ou de forma discreta demais ou ainda reforçando o aspecto comum da formulação do perfume. A lavanda, aromática, dura poucos minutos na saída, onde o pinho parece inexistir. Logo em seguida somos brindados com um cheiro saponáceio floral e por fim o cravo aparece e se mistura a ele, durando o resto da composição na pele. Há uma tímida base chypre seca no perfume, e algo de incensado tão sutil que é preciso prestar muita a atenção e fprçar o olfato a percebê-lo misturado ao cravo.

Se não bastasse uma formulação desinteressante, Dhofar falha ao reunir notas que deveriam produzir uma composição notável, pois elas mais parecem criar um perfume rente a pele que fixa mas vai se tornando mais tímido a cada hora que passa. Diferente de Oroville, que se torna discreto após uma abertura triunfante, Dhofar começa sem graça e termina sem graça na pele. Infelizmente matérias primas de boa qualidade são disperdiçadas em sua formulação nada interessante, uma prova de que qualidade por si só não salva um produto ruim.

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