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21 de fev de 2011

Naiviris - Huitieme Art

Notas:
Raiz de Iris Vermelha Africana, Madeira de Zebrano

Iris é uma paixão do perfumista Pierre Guillaume, da mesma forma que o couro e as notas gourmands. É possível perceber isso pois alguns de seus perfumes criados colocam essa complexa e delicada nota no centro das atenções, explorando seu lado mais atalcado, inserindo-a em um contexto mais gourmand ou então relacionando-a com madeiras para criar um aroma mais seco. Em Naiviris, apesar do nome exótico, o perfumista resolveu explorar o lado mais confortável e delicado da nota.


Naiviris utiliza-se da nova técnica de extração de matérias primas para utilizar dois matérias antes não explorados - a íris vermelha africana e a exótica madeira de zebrano. Isso pode levar a conclusões precipitadas de que o perfume é estranho e difícil de usar. Ao prová-lo na pele, porém, percebe-se exatamente o contrário. As duas novas essências exploradas produzem um aroma confortável, de talco limpo, que parece sugerir um aroma pueril mais maduro, algo como uma lembrança infantil para a vida adulta. O tema principal, que é o que se mantém do começo ao fim, é o de uma delicada iris atalcada combinada com o que parece ser um aroma almiscarado e amadeirado bem abstrato. Aos que esperam dessa madeira um caratér seco e masculino irão se decepcionar - a madeira de zebrano aqui utilizada possui um aroma cremoso e sutil, quase parente do sândalo em algumas composições olfativas. A complexidade de Naiviris está em sua saída. A íris vermelha africana possui um interessante nuance frutal e especiada na saída, que remete ao cheiro floral do açafrão em algumas composições e a algo que vagamente lembra frutas vermelhas. É um prelúdio especiado e frutado elegante que impede Naiviris de parecer uma composição dual de iris atalcada e madeira almiscarada.

Naiviris possui uma fixação adequada na pele e um rastro mediano. Pierre Guillaume é bem sucedido ao criar um perfume elegantemente confortável de duas notas novas, que poderiam parecer exóticas e estranhas caso caíssem nas mãos de outro perfumista. Essa oitava arte parece querer nos mostrar que a arte não existe somente em composições estranhas e vanguardistas, e sim na exploração de novos materiais, meso que eles sejam eles empregados em uma beleza simples e direta como essa.

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