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27 de fev de 2011

Manguier Metisse - Huitieme Art

Notas:
Manga, folhas de chá, flores de frangipani

Após provar todos os perfumes da Huitieme Art, é possível perceber que essa oitava arte perfumada preza por duas características principais: minimalismo e hiper-realismo nas matérias exploradas. O minimalismo utilizado aqui é voltado para a construção de perfumes lineares, que exploram duas ou três notas no máximo, sem cair no estilo transparente de minimalismo utilizado pela Hermés. O objetivo ao explorar duas ou três notas é colocar em evidência os novos extratos de matérias-primas, cuja a extração foi cunhada pelo perfumista como phyto extração, uma técnica que mistura matéria-prima natural e compostos sintéticos para cobrir o máximo possível das características do cheiro original do que se explora. Percebe-se que as maiores beneficiados por essa técnica foram os extratos frutais, complicados de se obterem, pois nem sempre a extração preserva o cheiro original da fruta, e de se reproduzirem via compostos sintéticos, que acabam produzindo aromas frutais que duram bem pouco na pele. Manguier Métisse se enquadra nessa categoria, ao produzir um perfume minimalista exótico de manga e frangipani.

A técnica utilizada extraiu da casca da manga o seu cheiro característico, e o resultado final produz um retrato frutal bem tropical. Os primeiros minutos na pele trazem a memória o cheiro de uma manga bem madura, suculenta e açúcarada. Conforme o tempo passa, a transição é feita para um floral exótico de frangipani.O aroma das flores de frangipani parece ter algum aspecto frutal, que o integra perfeitamente a saída de manga, e a nota de chá traz algo mais herbal que tira parte do exotismo do frangipani e a torna mais agradável. Um musk cremoso e discreto finaliza o floral exótico central do perfume e o termina de uma forma bem discreta e rente a pele.

Manguier Metisse, como a maioria dos perfumes da linha, parece experimental e bem sucedido em seu objetivo de capturar uma impressão mais apurada do tema central, que nesse caso é o cheiro doce e exótico da manga. A sua linearidade o torna mais fácil de ser compreendido e serve como um exemplo do uso de manga na perfumaria. Como o resto dos integrantes dessa oitava arte perfumada, ainda que completo ele deixa em quem o usa uma vontade de quero mais, de ver a nota explorada em um contexto mais ousado e complexo, em uma arte que se aproveita de seus novos materiais disponíveis para produzir algo que desafie quem a utiliza.

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