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5 de fev de 2011

De Bachmakov - The Different Company



Notas: Folhas de shiso, frésia, bergamota, coriandro, cedro, iris, musk

Parece que nós sempre herdamos algumas coisas de nossos pais. Sejam expressões faciais, gostos, preferência por algumas cores, certas manias e ás vezes até o gosto pela mesma profissão. Somos influenciados, direta ou indiretamente, por eles e isso acaba refletido no que fazemos em nossas vidas. Celine Ellena, perfumista da The Different Company, deve deixar seu pai Jean Claude Ellena muito orgulhoso. Os perfumes de Celine parecem seguir o mesmo caminho olfativo de seu pai, algo minimalista, transparente na pele, que parece brincar com os limites do aroma e com as divisões entre o mundo masculino e feminino.
Ao provar De Bachmakov, sem saber o responsável pela criação tem-se a impressão de um perfume de Jean Claude Ellena. Os elementos preferidos por ele estão lá, como o aroma verde vegetal, o floral abstrato, a delicada iris atalcada, a base amadeirada mineral. De Bachmakov parece um exerício de Celine com o mundo olfativo de seu pai, aqui exemplificado com elementos retirados de Kelly Caleche e Terre d'Hermés. As citações olfativas foram orquestradas para homenagear  em 2010 a celebração do ano França-Russa e as origens do diretor artístico da marca.

De Bachmakov abre com um delicado lado mais frutal, que por alguns momentos remete a maçã verde. A íris logo se projeta na pele, de forma bem transparente e aliada aos aromas verdes e cítricos e ao floral primaveril. Os elementos parecem ter sido combinados para criar uma sensação despida, onde somente o essencial do frutal, do toque floral delicado da iris e do lado verde permanecem. De Bachmakov começa mais feminino e delicado, e progressivamente vai para uma base amadeirada a abstrata que combina muito bem com perfumes masculinos. O cedro e musk são arranjados de forma similar a Terre d'Hermés, porém com uma impressão menos mineral na pele, com o cedro prevalecendo sobre o musk.

De Bachmakov, apesar de oficialmente homenagear ao ano França-Rússia,  na prática parece uma homenagem mais clara de uma filha perfumista ao seu querido pai. Ou talvez ele possa ser lido como uma evidência de como a perfumista acaba sendo influenciada para escolher notas olfativas e trabalhá-las de uma forma semelhante ao que Jean Claude Ellena faz. Infelizmente, o seu trabalho possui a mesma falha que os de seu pai, onde a criação parece as vezes pálida demais, necessitando uma aplicação muito generosa para que seja possível ter uma fixação e rastro adequados.

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