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22 de fev de 2011

Aube Pashmina - Huitieme Art


Notas: Manjericão, Alecrim, Folhas de Tomate, gerânio, groselha, Satinwood

É certo que a perfumaria tem sofrido grandes perdas na modernidade, devido as restrições de uso de determinadas matérias-primas, devido aos seus possíveis efeitos alérgicos. Perfumes que antes eram intensos e marcantes se tornam pálidos fantasmas após as adequações aos materiais considerados seguros (caso do importante Femininite du Bois da Shiseido, um dos primeiros perfumes femininos a explorar de forma central notas amadeiradas). Em outros casos, uma família inteira de perfumes é desfigurada ao perder um elemento central importante em sua identidade, que é o caso da família Chypre. A perfumaria, como arte, sofre com as perdas, porém tal processo a leva na busca da extração de novas matérias-primas, como novas cores para a composição de obras de arte olfativas. É o que se propõe a coleção Huítieme Art de Pierre Guillaume.


A nova técnica de extração utilizada em cada um dos perfumes permite explorar matérias primas antes não utilizadas, numa tentativa de capturar de forma realística seus aromas. Em Aube Pashmina, a madeira de Satinwood é explorada numa composição de perfeito balanço entre notas verdes e um delicado toque frutal discreto. Aube Pashmina explora a visão de um jardim verde de ervas e frutas num dia que ainda está para começar. A Madeira de satinwood oferece um suporte amadeirado discreto a uma agradável composição de aromas verdes e frescos, que sugerem o frescor da polpa de determinadas plantas, como a babosa, por exemplo. A princípio há um toque mais aromático e ligeiramente salgado nesse jardim verde, que aos poucos evolui para um aroma de folhas mais adocicadas e frescas, adornadas por um frutal gentil da groselha, que confere um colorido ao tema verde sem roubar-lhe o foco. Esse jardim verde e fresco é, como os outros perfumes da linha, uma foto panorâmica do cheiro, onde todos os detalhes são percebidos a distância, sem que haja uma progressão evidente de foco em cada um deles, de forma que rapidamente todos os detalhes são notados na pele. Isso não o torna desinteressante, entretanto; a linearidade, presente em toda coleção, coloca em foco as novas matérias primas sem que o perfume pareça ter sido criado para inspirar perfumistas a utilizar essa matéria.

Aube Pashmina mostra que é necessário explorar a riqueza biológica na perfumaria apesar da perda que frequentemente temos devido a restrição em materiais que fizeram história. É preciso preservar o passado, porém há muito a ser explorado e oferecido ao consumidor com novos aromas. E se as descobertas forem tão promissoras quanto Aube Pashmina e outros perfumes da linha, com certeza veremos um futuro com criações interessantes para contrabalancear os grandes clássicos perdidos com o passar do tempo e com as restrições que vão surgindo.

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