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29 de dez de 2010

Wazamba - Parfums d'Empire


Notas:
Incenso, mirra, sândalo, maçã, pinho, cipreste, resina, opoponax


Uma nota pouca explorada na perfumaria, a nota de pinho costuma ser relevada a segundo plano principalmente pela associação, pelas pessoas, do seu aroma com produtos de limpeza. O pinho, entretanto, tem se mostrado uma nota interessante de ser usada na perfumaria, especialmente em projetos de perfumaria de nicho e perfumaria exclusiva, que permitem um uso mais ousado de seu aroma.


Wazamba, da Parfums d'Empire, lançado em 2009, possui sua composição centrada no pinho do começo ao fim de sua evolução na pele. O pinho aqui é utilizado para criar uma aura incensada, mistítica, serena, sagrada. É possível perceber um deslocamento entre duas de suas facetas, uma mais verde e seca e outra mais incensada. 


A princípio, esse ritual sagrado se inicia com um aroma purificador e seco do pinho misturado com a nota de cipreste. Conforme o tempo passa, é revelado uma nuance incensada e amadeirada que se mantém durante todo o dia na pele. Esse ritual não ocorre com pressa, e revela delicadas nuances do seu aroma de incenso conforme ele ocorre. Há horas que o incenso e o pinho dão espaço para que se revele o lado mais resinoso e sutilmente atalcado da composição, provido pela resina, opoponax e a mirra. E em alguns momentos um aroma frutal discreto e um amadeirado cremoso de sândalo equilibram o cheiro do pinho, tornando menos seco e incensado sem seguir por uma via frutal ou gourmand.


A chave para a apreciação dessa cerimônia olfativa é o incenso. É necessário ser fã de incenso e de aromas amadeirados mais secos para poder observá-la em todos os seus detalhes. Àqueles que gostam dessa nota, é um perfume a ser provado para mostrar o quão bom pode ser um incenso centrado no seco, verde e amadeirado do pinho.


Imagem: Frasco do Wazamba, fotografado por Natan Branch e disponível em:
http://www.flickr.com/photos/nathanbranch/3960848822/in/photostream/
Todos os direitos reservados ao autor.



4 comentários:

GiGi disse...

Hei meu amigo adorei como sempre a resenha, mas ao que parece e pelo pouco que entendo de notas, acho que vou gostar muito desse. To querendo muito um perfume incensado e místico. E continue nos presenteando com essas maravilhosas descrições. Bjos

Rick disse...

Obrigado Gigi! Ele é um incensado com um ar misterioso, mas o bom dele é que ele não acaba indo por um caminho misterioso demais. É bem usável.
Bjão!

Daniel disse...

Já ouvi referências dele ao Fille en Aguilles de Serge Lutens...tem realmente alguma semelhança Henrique? Abraços,

Rick disse...

Daniel, as referências são válidas. Os dois possuem com bastante evidência o uso do pinho e um aroma incensado. Acho que o que os diferencia é a presença, no Fille en aguilles, de um discreto aroma frutal alcóolico fermentado, que é recorrente com maior ou menor intensidade em várias das criações do Serge Lutens. Os dois são muito bons, é questão de provar e ver qual se gosta mais.
Abraços!

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