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18 de dez de 2010

Milly-la-forêt/Vétiver - Dior



Notas:
Milly-La-Forêt - Mandarina, Neróli, Musk Branco

Vétiver - Grapefruit, Café, Vétiver


Se a nova coleção de perfumes exclusivos da Dior fosse transferida para as passarelas da alta costura da moda, seria provavelmente criticada pelos especialistas como uma coleção com algumas criações surpreendentes, outras sólidas porém nada inovadoras e ainda algumas sem sentido dentro da alta costura. Infelizmente a ousadia e criatividade que a Dior demonstra em suas passarelas não é transposta totalmente em seus perfumes de alta costura.

A coleção é classificada pela própria marca como uma coleção de perfumes raros, autênticos e elegantes, utilizando-se ingredientes finos e selecionados a mão. A segunda parte é possível de ser vista em todas criações, já o caráter raro e autêntico de suas criações é questionável, como é possível perceber nos dois perfumes analisados hoje, Vétiver e Milly-La-Forêt.

Milly-La-Forêt parece mais um exercício de um perfumista iniciante do que um perfume criativo, completo, artístico, exclusivo. A idéia, segundo a marca, era criar algo que refletisse um passeio romântico em uma floresta, prestando uma homenagem a residência de Christian Dior em Milly-La-Forêt, onde o estilista descansava e se refugiava, cercado de suas flores prediletas. Infelizmente, esse passeio romântico parece que foi feito pela prateleira de perfumes femininos comerciais. Milly-la-fôret é um floral cítrico almiscarado, não muito distante de outro perfume da coleção, Cologne Royale. A estrutura, já extremamente básica, de Cologne Royale é reaproveitada aqui, tornando-a um pouco mais floral e delicada. Há uma abertura cítrica, ligeiramente mentolada, que conduz a um coração de um floral leve e que termina num almiscar cremoso. Milly-la-fôret passa a impressão de um perfume cru, feito as pressas, com materiais de ótima qualidade, como se um professor quisesse demonstrar uma determinada estrutura olfativa aos seus alunos e deixar que eles a aparfeiçoem, a tornem pessoal.

Vétiver, infelizmente, apresenta o mesmo defeito de Milly-La-Forêt. Há uma abordagem minimalista ruim, que passa a impressão de um perfume feito as pressas, com poucas notas olfativas para garantir que a composição não demonstre cheiros desagradáveis depois da lançada. Se Vétiver é um perfume que funciona, funciona mais por méritos da matéria prima escolhida do que do perfumista. Há um uso enorme e predominante de um vetiver herbal e cítrico, que não demonstra ter um aroma esfumaçado ou emborrachado, comum em alguns perfume de vetiver. A saída é cítrica e ardida, progredindo para a predominância do lado herbal e cítrico do vetiver, e terminando por um café que reforça o caráter amadeirado da composição e que demonstra um leve lado gourmand.

Vétiver e Milly-La-Forêt não demonstram grandes surpresas ou tema criativo e artístico; são apenas um perfume simples, com boas matérias-primas, que fariam mais sentido nas prateleiras de uma perfumaria comercial do que como parte de uma coleção exclusiva e cara.

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