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23 de dez de 2010

Bois Noir - Chanel

Notas:
Mandarina, rosa, lavanda, coriandro, baunilha bourbon, madeira de sândalo, pau-rosa e ambrette seed

Criado em 1987, Bois Noir está entre os perfumes mais difíceis de se achar da Chanel. O perfumista da marca, Jacques Polge, em uma entrevista recente disse que o seu perfume predileto da marca é exatamente Egoiste, o perfume que foi gerado a partir do Bois Noir. Um projeto criado a partir de outra criação da marca, o clássico Bois des Iles, Bois Noir foi concebido por ele como uma versão mais masculina do acorde clássico centrado em sândalo de Bois des Iles. Exclusivo às lojas da marca, Bois Noir foi um fracasso de vendas, sendo três anos depois repaginado e relançado como Egoiste.

É possível perceber o motivo logo ao aplicá-lo na pele. Bois Noir desde seus primeiros momentos de evolução apresenta um aroma rico, cremoso e adocicado de sândalo na pele, sem utilizar-se de um exótico aroma floral, como o perfume que o originou usa. O amadeirado do sândalo não possui nem um aroma amadeirado seco e especiado, ou animálico, ou de um fougeré medicinal verde, tendências da perfumaria oitentista da época. E também não se encaixa na estética clean, aquática  e leve que começou a surgir no final da década de oitenta. Bois Noir era um perfume de nicho numa época onde o nicho não era tão difundido.

Em uma coleção exclusiva de hoje em dia, Bois Noir seria um destaque pelo seu conjunto doce e quente. O sândalo, combinado com a baunilha, o tabacco e a ambrette seed, cria algo com uma aura natalina, oriental, envolvente, sedutora. Há uma cremosidade picante, atabacada e abaunilhada que não é enjoativa, mas não é timida. Não há nada de seco, ou cru em seu aroma; ele parece erradiar uma aura ambarada doce que, enquanto doce, nunca se envereda por um caminho intensamente gourmand. Combinado ao aroma da rica base quente do perfume, que se mostra evidente já nos primeiros momentos na pele, há uma  rosa aveludada e licorosa, com o aroma meio cítrico, meio gourmand, meio amadeirado do pau rosa e o cítrico adocicado da mandarina.

Bois Noir soa como um perfume harmônico, sem grandes reviravoltas olfativas e sem aderência a clichês. Seu cheiro é, como a maioria dos perfumes bons, do tipo que se ama ou odeia. Mas nunca um perfume que se esquece facilmente, e algo a ser usado pelo prazer de sentir seu aroma, e não pela vontade de agradar aos outros.

2 comentários:

+ Q PERFUME disse...

Que delícia saber sobre o backstage de um dos perfumes mais bacanas de Chanel!! Adorei!
Beijos e feliz natal querido, Simone.

Rick disse...

Fico muito feliz em saber que tenhas gostado, minha querida amiga!

Bjos e um feliz natal perfumado de coisas boas!

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