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21 de nov de 2010

L'Eau - Serge Lutens


Notas: aldeídos, notas cítricas, magnólia, menta, sálvia, notas ozônicas e musk

Lançado em 2009, Serge Lutens e Christopher Sheldrake, L'Eau é um perfume que chamou a atenção dos blogs e admiradores de Serge Lutens. Não pelo caráter ousado, chocante, inovador de seu projeto, mas exatamente pela abordagem comercial que foi dada a ele. Estaria Lutens abrindo mão de sua estética saturada, chocante, densa, as vezes difícil de usar? Ou estaria ele almejando um perfume que fosse um sucesso de vendas, e assim custeasse suas criações mais chocantes, que as vezes não são tão bem recebidas e não vendem tanto?

Essas são perguntas que me ocorrem ao provar na pele o aroma de L'Eau. Vendido como um anti-perfume, construído com notas clean, frescas, L'Eau parece mais como um anti-Lutens, ou melhor ainda, como um perfume irônico, que crítica a banalidade do mercado massivo de lançamentos ao produzir algo semelhante, vendido sobre uma idéia de um perfume que cria uma sensação de banho e roupas limpas.

A sensação de limpeza é o que L'Eau oferece do começo ao fim. Não há muita complexidade em seu aroma, ou surpresas olfativas, ou cheiros que saem de foco e voltam a cena logo em seguida, como frequentemente acontece em várias criações lutensianas. É um aroma perfeito técnicamente, e pobre artisticamente, o tipo de cheiro feito para agradar o máximo possível de pessoas, um cheiro que poderia estar perfeitamente num aromatizador de ambientes, num desodorante, num gel de banho ou num sabonete caro. Mas, para um perfume, parece simples demais.

A simplicidade acaba combinando com o nome. L'eau é uma combinação de um cheiro cítrico, um frutal aquático dominado pela nota batida do calone, reforçado por um aroma clean de flores genéricas, algo mentolado e refrescante, suportado por uma base almiscarada macia e brilhante devido a combinação do musk e dos aldeídos. É um aroma que parece mais os restos mortais de um perfume numa roupa limpa do que um perfume em si. L'Eau se vale tecnicamente de sua estrutura duradoura, sem muitas surpresas. O que você sente na saída é o que acompanha durante o dia, como se as notas estivessem amarradas de tal forma que sempre evoluem juntas, numa combinação que diz "cítrico melão genérico, menta, flores genéricas, aldeídos, musk limpo de amaciante".

L'Eau é um aroma agradável. Infelizmente, ele reflete o que parece ser uma tendência na perfumaria, a falta de identidade dos perfumes. L'Eau e muitos outros perfumes cheiram bem, mas parecem feitos para agradar o máximo possível de pessoas, da mesma forma que um aromatizador de ambientes, um shampoo ou um desodorante. Mas, se as pessoas não utilizam tais produtos para saírem perfumadas, porque preferem esse tipo de aroma? Essa é uma pergunta a qual eu não tenho resposta, e que talvez tenha sido, entre as perguntas elicitadas no começo do meu texto, um dos motivadores de Serge Lutens a criar L'Eau.

2 comentários:

+ Q PERFUME disse...

Eu chamaria este perfume de L'Eau de Rien - Rien a dire, rien a sentir!
Achei uma aguinha bobinha e sem valor.

Rick disse...

L'Eau de Rien seria um bom nome para esse perfume também. É mais uma criação aromática estéril, na minha minha opinião. Sem valor mesmo. Mas, vai saber, talvez foi essa mesmo a inteção.

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