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22 de nov de 2010

Coriolan - Guerlain


Notas:
Bergamota, folhas de limão, neróli, sálvia, gengibre, zimbro, noz-moscada, ylang-ylang, patchouli, musgo de carvalho, vetiver, benjoim, sempre-viva

É possível analisar a perfumaria como um campo de batalha. O alvo de todas as empresas é sempre o mesmo: conquistar o consumidor, torná-lo fiel, fazer com que ele gaste com suas criações em vez de gastar com a concorrência. Cada empresa lança utiliza as armas com as quais possue mais afinidade, seja se valendo de celebridades, de variações de seus campeões de vendas, de frascos exuberantes, de propagandas que prometem conquista, sensualidade ao alcance de suas mãos, bastante apenas apertar o spray mágico que o separa de um mundo de conquista e sedução da realidade.

Para entrar nessa batalha, em busca de conquistar novos clientes e se adaptar ao gosto moderno, a Guerlain lançou, em 1998, Coriolan. Utilizando o tema da guerra (o perfume é inspirado no general romano Gaius Marcius Coriolanus), Jean Paul Guerlain produz um chypre, uma das famílias que a casa domina com maestria desde a criação de Mitsouko, com ares modernos. E perde feio a batalha pela atenção do público.

Coriolan é consistente em suas táticas de guerra do começo ao fim. Utiliza-se de uma estrutura cítrica, que evolui para um segundo instante especiado e herbal, terminando num aroma amadeirado e musgoso. Se há consistência em suas táticas, falta agressividade em utilizá-las e certo desconhecimento do território a ser conquistado. Coriolan acaba sendo um perfume cinzento, clássico, elegante, mas que não se adequa ao gosto aquático, gourmand, sedento de fragrâncias com muito rastro e fixação, do consumidor mais jovem. E acaba não se adequando aos perfumes chypres amadeirados, secos, carregados em especiarias, madeiras, doses generosas de couro.

Apesar de perder a batalha, Coriolan não desiste da luta olfativa. O seu charme é reservado para aqueles que conseguem ver a beleza em sua voz suave, porém firme. Há um certo conforto em tons sépia em suas notas cítricas, que em vez de possuírem um aroma refrescante, cintilante, seguem em uma direção seca, ligeiramente animálica. O corpo do perfume se utiliza das especiarias e do aroma herbal-especiaco-seco do zimbro, criando uma aura um pouco dura, picante, que termina de uma forma discreta, numa base musgosa discreta, amadeirada, defumada.

Coriolan é um perfume de princípios, que acredita em sua tradição, herança, mas que acaba confiando demais em sua qualidade olfativa e pecando na ausência de seu rastro e na fixação mediana. Esquecendo-se de usar armas vitais em uma época concorrida, Coriolan deve se contentar a pequenas ilhas de domínio, para aqueles cujo o gosto olfativo não se enquadra nos maneirimos gourmands ou aquáticos modernos.

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