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13 de nov de 2010

Baghari - Robert Piguet

Notas:
Aldeídos, Orris, Ambar, Musk, Violeta, Baunilha, Jasmim, Vetiver, Neroli, bergamota, rosa búlgara


Impressões:
A rescontrução de um perfume vintage é sempre uma tarefa cautelosa. É difícil trazê-lo a tona fiel ao seu conceito original tendo que substituir essências que se tornaram escassas ou que foram banidas. Mais complicado ainda é produzir algo que agrade ao consumidor moderno, porém sem perder a idéia original, sem ofender aqueles que admiravam a antiga criação. Um nome consagrado em um clássico não pode ser reutilizado para o lançamento de algo mediocre e ligado a modismos sem que haja perdas.

Baghari criado pela maison Robert Piguet, foi relançado em 2006 tendo o perfumista Aurelien Guichard como o responsável pela criação. Aurilien Guichard faz novamente um belo trabalho, conseguindo modernizar um clássico sem que sua aura antiga se perca. As idéias permanecem, mas a silhueta muda. E, da mesma forma que um de seus melhores perfumes, Chinatown (criado para Bond No 9 e um dos mais marcantes da grife), Baghari consegue criar uma estrutura coesa, de um floral radiante, nada opressivo, onde cada elemento é significativo. Não há excessos em suas criações, elas são radiantes, quentes, românticas.

Baghari abre com um aroma forte aldeídico. Os aldeídos aqui impressionam, pois em geral são empregados em buquês florais com um aroma atalcado, suavizando as pétalas, dando luminosidade a elas, e sendo instantaneamento reconhecidos por muitos com um ar retrô, senhoril. Aqui eles funcionam ligados ao aroma da bergamota e da neróli, extraindo de uma forma pura e luminosa seu aroma floral. Conduzem belamente para o rico coração floral, delicado e romântico de Baghari, um misto de jasmim, rosa e violeta. O jasmim predomina, mas combinado a rosa e violeta atinge um acorde floral ligeiramente frutal, adocicado, sem que haja nenhum caráter indólico, intenso, dominador. É uma combinação bela, sóbria, elegante, de um aroma floral que não precisa chamar a atenção para se destacar. As flores conduzem para uma base amadeirada com toques de baunilha e ambar, cercada por um aroma ligeiramente terroso da nota Orris. A baunilha contrabalanceia o aroma do vetiver e é uma ponte entre a doçura das flores e aroma amadeirado ambarado da base.

Baghari funciona perfeitamente como um clássico moderno em cima de um nome consagrado. A idéia de um floral romântico é mantida, e atualizada como uma luminosidade cítrica muito cativante, capaz de conquistar tanto aos fãs do original como a aqueles que nunca o conheceram antes.

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