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6 de nov de 2010

Aubepine Acacia - Creed


Notas:
Bergamota espanhola, acacia, espinheiro-alvar(pilriteiro), mimosa, ambergris

Impressões pessoais:

A perfumaria Creed é uma marca britânica criada em 1760, por James Henry Creed. Talvez por sua herança histórica e sua tradição de produzir perfumes para a realeza, os perfumes Creed possuem uma estética que muitas vezes difere da atual utilizada na perfumaria. Muitos deles possuem uma pirâmide compacta de notas, em geral utilizando somente aromas naturais em alguns sintéticos, para produzir um cheiro simples, que lembre a natureza.

Aubepine Acacia, lançado em 1962 e posteriormente relançado como uma edição limitada na coleção exclusiva, encaixa-se perfeitamente nessa linha principal de criações da Creed. O nome do perfume indica perfeitamente o caráter dessa composição, centrada no aroma da acacia e do pilriteiro. As duas flores possuem um aroma floral verde, com nuances herbais. Aubepine Acacia explora exatamente o aroma verde das flores para produzir um cítrico que dura na pele mais que a maioria dos cítricos.

Por esse motivo, Aubepine Acacia, apesar de não possuir nenhuma inovação olfativa, algum aroma chocante ou um cheiro doce, tipicamente associado a perfumes sensuais contemporâneos, possui uma qualidade técnica notável. Aubepine Acacia consegue manter o aroma cítrico da saída e  utilizá-lo num contexto próximo ao de um perfume chypre, porém explorando apenas a parte cítrica-resinosa, sem explorar o lado amadeirado amargo.

O aroma cítrico da bergamota é o primeiro a ser notado ao aplicar Aubepine na pele. A bergamota aqui soa como natural, com um cítrico fresco, semelhante ao aroma de limões adocicados maduros, e não vai em direção ao péssimo aroma sintético de alguns cítricos, que os tornam similares a produtos de limpeza. O floral verde da acácia e da do pilrieitro já se faz notável nos primeiros momentos, que fixa a nota cítrica de bergamota, evoluindo-a gradativamente para o aroma verde-herbal das flores. Esse segundo momento, verde-herbal floral, é o que perdura na pele, e possui aquele típico aroma primaveril de flores frescas e folhas vivas. A nota de base, o ambergris, não predomina e distorce o acorde, impedindo o perfume de finalizar com um ambar-amadeirado clichê e destoante do tema geral. Ao contrário disso, ele fornece um toque salgado, similar ao aroma de patchouli, porém sem nenhum ângulo olfativo canforado e amadeirado.

A simplicidade da estrutura utilizada, aliada a qualidade das essências usadas e a afinidade entre elas, consegue produzir um perfume digno da tradição real Creed: um aroma nobre, que pode não ser inovador, mas que é consistente e persiste sua aura cítrica por mais tempo que o esperado. Poucos perfumes cítricos conseguem esse efeito, e Aubepine Acacia o domina com nobreza e maestria durante sua evolução.

2 comentários:

Norma disse...

Rick,

Lendo esse post, e sendo uma fã de cítricos, fiquei com vontade de ler uma crítica sua de Eau d'Hadrien, de Annick Goutal. Para mim, trata-se de um perfume também nada inovador, e que peca pela fraca fixação, mas que, apesar disso tudo, me encanta muitíssimo - um perfume que eu certamente teria na coleção, se não fosse o preço. O que mais me encanta nele é justo seu efeito tão natural.

Parabéns por mais um excelente post!

Abraços!

Rick disse...

Oi Norma!
A família cítrica foi crescendo aos poucos no meu gosto. Aprendi que ele valem a pena mesmo sem fixação muito grande. O Eau d'Hadrien eu já senti, mas nunca tive uma amostra dele. Espero conseguir uma em breve para resenhá-lo.

Abraços!

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