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18 de out de 2010

Un Bois Sepia - Serge Lutens

Fonte: http://www.flickr.com/photos/nathanbranch/3111927077/sizes/o/in/photostream/ 
Todos os direitos reservados ao autor, Nathan Branch

Notas:
Sândalo, cipreste, vetiver, patchouli, opoponax

Impressões:
Un Bois Sepia está provavelmente entre os perfumes menos conhecidos e apreciados da linha dos exclusivos de Serge Lutens. Lançado 2 anos após Feminite du Bois, Un Bois Sepia parece um estudo oposto no uso de notas similares as utilizadas no perfume que marcaria a história da perfumaria feminina, da marca Shiseido e da linha de nicho que começou a ser delineada após tão famosa criação. Feminite de Bois é um perfume sensual, um dos primeiros a utilizar em abundância notas amadeiradas, aliadas a um aroma frutal intenso, maduro e especiado. Já Un Bois Sepia é um estudo no aroma sereno, contemplativo, de notas amadeiradas, folhas, onde as especiarias e frutas servem apenas com um sabor a composição geral.

Diferente dos outros Lutens, que possuem uma evolução complexa, que na pele se traduz em acordes que vão e voltam de foco, em metamorfoses de frutas que se tornam especiarias, para virarem madeiras e voltarem a ser frutas depois, Un Bois Sepia possui uma estrutura curta, condensada, em torno de acordes que parecem se manter estáveis durante o dia, com pequenas variações. A estrutura mais a combinação das notas é o equivalente olfativo de um quadro de natureza morta, onde a beleza está justamente no uso da luminosidade correta e na escolha das cores que passem a temperatura certa de cor no que se pretende retratar.

Assim, temos aqui uma natureza morta com um ar de outono, algo desbotado, uma transição entre o aroma quente, carregado, cheio de vida do verão em direção ao tom gélido de um inverno. É uma composição cujo conjunto retrata uma cesta de madeira, carregada de folhas secas e especiarias, que retém uma sugestão de um aroma frutal intenso que ali antes existiu. O aroma das folhas secas é o que primeiro vem ao olfato, e aqui se tem a impressão de uma mistura de folhas de vetiver com aroma de folhas de violeta. Aos poucos, é possível perceber uma pequena dose da usual base frutal, que possui um cheiro de ameixas maduras e açúcaradas, utilizada como uma das notas preferidas de serge lutens em várias de suas composições. Aqui, ela é apenas sugerida, com um aroma mais seco do que o usual aroma maduro da fruta. O cheiro da madeira de cipreste está presente desde o começo da composição, mas entra mais em foco depois de algumas horas na pele, conferindo um ar amadeirado seco a obra. Há sândalo na composição, mas não é a nota que predomina, e que combinada ao patchouli e opoponax, finalizam a composição com um aroma incensado etéreo, resinoso, sutilmente doce.

É provável que Un Bois Sepia seja um dos menos conhecidos da linha exatamente pela ausência da estrutura tão amada pelos fãs lutensianos de especiarias sensuais + frutas intensas + madeiras adocicadas. Ou então, seu papel secundário na linha se deva a evolução condensada na pele e a um rastro e fixação medianos. Entretanto, a aura outonal, silenciosa, contemplativa dessa natureza morta de madeiras, folhas e traços de frutas é bela, efêmera e vale a pena ser provada como um exemplo de como é possível resgatar, por meio de notas que poderiam ser tão sensuais, algo belo de uma forma seca.

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