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27 de out de 2010

Opus II - Amouage Opus Collection

Notas:
Lavanda, absinto, pimenta, jasmim, rosa, canela, cardamomo, cedro, patchouli, ambar e incenso (olíbano)

Impressões:

Imagine que uma marca de luxo renomada como a LVMH lançasse uma bolsa caríssima, feita com materiais de qualidade, mas que não fosse muito diferente de uma bolsa parecida com uma da C&A, com mesmo design, porém um pouco inferior. Você compraria, mesmo sabendo que o preço altamente exorbitante se deve apenas a materiais um pouco melhores, sem uma preocupação maior em inovação ou em produzir algo diferente?

É o que algumas grifes exclusivas de perfumes tem feito no cenário atual. Marcas como Byredo, Le Labo tem oferecido fragrâncias com frascos normais que possuem dentro de si composições medianas, similares as encontradas por menos da metade do preço nas prateleiras de sua perfumaria local, apenas com uma fixação melhor e matérias primas um pouco mais elaboradas, mas que não justificam o preço cobrado. A Amouage é uma marca que tem se mantido razoavelmente longe dessa falta de inspiração traduzida em preços exorbitantes e conceitos artísticos inexistentes ou parcialmente atendidos. Entretanto, ela não conseguiu fugir do óbvio e mediano ao lançar Opus II.

Parte da coleção de três fragrâncias, cunhadas sob o conceito de uma biblioteca aromática que homenageia o processo de criatividade da perfumaria, os grandes clássicos, Opus II não foge da maldição que paira sobre coleções simultâneas lançadas, onde sempre há um perfume que se destaca dos demais por ser fraco em sua execução.

Opus II é uma homenagem a família fougeré e criado para evocar o ambiente de uma biblioteca. A impressão que se tem é de que a pessoa que o criou não conheceu muitas bibliotecas, pois este fougere aromático nada possui do ambiente delas. É apenas uma composição meramente boa, que passa longe do que se espera da qualidade de um perfume que custa mais de 300 dólares por 100ml.

A saída é o seu momento mais forte. A combinação de lavanda, pimenta e absinto consegue criar uma aura fougeré aromática, onde a pimenta predomina com seu aroma picante e é complementada pelo toque herbal, sem o lado alcóolico, da lavanda e pelo amargo do absinto. Entretanto, a combinação de lavanda, pimenta e absinto nunca cresce na pele. O acorde, uma espécie de especiado aromático amargo, remete a perfumes como Solo Loewe e Egoiste Platinum, bem mais baratos que ele, sem porém acrescentar nada novo, sem criar uma ligeira diferença entre a interação das notas que possa levar ao interessante e digno de ser provado. A combinação também parece ser fraca, pois passado alguns minutos a saída decaí em volume para um nível muito baixo, que apenas se recupera parcialmente com o passar do tempo. É como se o perfume sumisse na pele após alguns minutos e ressurgisse um fantasma de si.

As flores que deveriam aparecer nos momentos seguintes da composição não aparecem, e em seu lugar temos um acorde cremoso de canela e cardamomo, amparados por uma nota de ambar que já começa a aparecer nesse momento. A partir da evolução, o perfume perde a homenagem fougere e se torna uma espécie de oriental especiado e incensado, porém diluído após ter sido posto na máquina de lavar roupas. A canela é a nota que parece resistir mais, porém sem o aroma quente e doce que ela costuma ter, puxando mais para o aroma de folhas de canela misturadas com um ambar amadeirado genérico.

Por fim, a composição perdura na pele com um aroma intimista de musk, cedro e patchouli. Parece a base óbvia de um perfume masculino, feita de uma forma um pouco mais elaborada, mas ainda óbvia. O acréscimo do lado incensado, proveniente do olíbano, que criar uma aura esfumaçada leve, não consegue salvar do tédio a combinação de musk cremoso, cedro amadeirado seco e patchouli sutil e salgado.

Opus II, enquanto meramente bom e agradável, falha no conceito artístico e em uma execução que peca por uma fixação fraca e um rastro intimista. Comprá-lo para sua biblioteca aromática é como comprar um livro da Stephanie Meyer pagando o preço de um original do Shakespeare.

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