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28 de out de 2010

Opus I - Amouage Opus Collection


Notas:
Laranja amarga, cardamomo, ameixa, ylang-ylang, rosa, jasmim, tuberosa, lírio do vale, Papyrus, madeira de cedro, madeira de guaiaco, incenso, fava tonka, sândalo, vetiver

Impressões:

Amouge Opus I é agradável surpresa comparado ao mediano Opus II. As duas fragrâncias funcionam como uma espécie de espelho, e é interessante compará-las para entender o caráter de um perfume artístico e de qualidade. Diferente de Opus II, cujo aroma fougere parece genérico, porém com um pouco mais de qualidade, e onde a fixação e rastro são insatisfatórios, Opus I é um perfume impactante, divisor entre opiniões estilo ame ou odeie, onde é possível enxergar um conceito interessante, uma execução impecável e uma qualidade técnica digna dos melhores perfumes da marca.
Opus I é inspirado numa busca épica por conhecimento. E o personagem principal de nossa narrativa, nesse caso é a dupla rosa e cardamomo. O cardamomo é o fio condutor da história do começo ao fim, e sua busca é centrada no descobrimento de novas combinações para o seu aroma. A rosa atua como uma personagem secundária importante, presente em quase toda parte de nossa narrativa.

A história começa centrada num aroma oriental, confortável para alguns, desconcertante para outros. O cardamomo, nosso personagem principal, aparece na narrativa desde o começo,  com uma abertura especiada, seca, com um aroma similar ao do cominho, desprovido do aroma de suor que essa nota possui. Aos poucos o jovem cardamomo encontra a bela e sensual, intensa, rosa. Essa não é uma rosa delicada, primaveril, romântica. É uma rosa exótica, de um vermelho intenso e um aroma com nuances de sabonete e de licor concentrado. A exótica rosa leva o cardamomo em uma direção ainda mais exótica, digna de um cenário tipicamente indiano.

A exploração dessa história entre rosa e cardamomo se dá com importantes coadjuvantes, que entram e saem de foco em vários momentos da composição. Há desde o início uma combinação de frutas e flores que aparecem e desaparecem no cenário, sem muitas satisfações de sua presença. O aroma da ameixa combinado com o ylang-ylang  e a tuberosa criam um aroma frutal canforado, doce, espesso. As sensuais damas tentam seduzir o cardamomo durante a evolução, mas sem sucesso, pois este possue apenas olhos para a marcante rosa.

A rosa é acompanhada de damas de companhia na história. O lírio do vale e o jasmim aparecem combinados a ela, criando uma dualidade verde versus floral indólico que é influenciadora de como a rosa se mostra na narrativa. Oras é possível perceber a influência cítrica floral indólica de um sedutor jasmim, que logo é substituído pelo aroma floral verde e discreto do lírio, um pouco tímido e até difícil de se notar na narrativa.

O romance da rosa e do cardamomo não dá certo, e ele segue em busca do seu objetivo inicial, o conhecimento de si, que é finalmente encontrado nos capítulos finais, a base do perfume. O cardamomo segue sua viagem e acaba indo em uma direção contemplativa, serena, em um momento onde o aroma das madeiras e do incenso o levam para o cheiro mais próximo de uma biblioteca, com seu aroma de madeiras ancestrais, e de um templo meditativo. O incenso cuida do cardamomo e se combina a seu aroma especiado, formando uma densa e, ao mesmo tempo, etérea fumaça, empermeada pelo seco amadeirado da combinação de vetiver, guaiaco. O sândalo e a fava tonka estendem uma nuance cremosa do aroma do cardamomo, dando um toque adocicado sutil ao incenso.

A história aqui descrita não corre em sua narrativa, não tem pressa de mostrar suas personagens para chegar logo ao fim. Ela dura 10 horas na pele, e é necessário prestar atenção em todos os detalhes para poder apreciar sua beleza e complexidade. Assim como os melhores livros, não é uma história que terá um apelo para todos. Mas é uma história digna de ser contada e transmitida de geração em geração.

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